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rosas
innersmile
Muito alívio com a vitória de Barack Obama, para um segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Longe da euforia de há quatro anos, e se calhar ainda bem, que ninguém tem pedalada para o estofo dos mitos, nem o próprio nem todos os outros, todos ‘nosotros’, como se diz em espanhol, os simples mortais.

Mas o facto de a euforia em torno de Obama ter passado, não deve sombrear a importância de Obama, e da sua revolução pacífica de 2008, e até desta reeleição. Nomeadamente porque provou que a agenda conservadora não era a única possível num mundo dominado pelo terrorismo fundamentalista e pela profundíssima crise do capitalismo. E que os norte-americanos, sempre tão sensíveis quanto à colocação do indivíduo e da liberdade individual no centro da sua versão de democracia, tenham sufragado uma visão mais liberal (no sentido norte-americano da expressão) da política, é sempre uma coisa boa, sobretudo porque a agenda de Mitt Romney era perigosamente opaca quanto ao poder de influência dos sectores mais retrógrados e radicais do espectro ultra-conservador da direita americana.

Mas não nos iludamos. A economia dos EUA está (muito) melhor do que estava há quatro anos, e isso, na minha opinião, foi o factor decisivo para a escolha dos eleitores norte-americanos.

Mas nem só a vitória de Obama é uma boa notícia nas eleições de ontem. No estado do Wisconsin, o meu estado preferido por ter lá vivido três meses e ter sido muito feliz e ter lá bons amigos, a democrata Tammy Baldwin foi eleita para o Senado dos Estados Unidos, e é a primeira pessoa assumidamente homossexual a ocupar o lugar de senadora (e além disso tem praticamente a minha idade, é mais nova do que eu um dia!) Mas há mais boas notícias: Baldwin já era representante no congresso e o Marc Pocan, que a vai substituir na Câmara dos Representantes, é gay, activista dos direitos LGBT, em particular do casamento entre pessoas do mesmo sexo, sendo a primeira vez que um representante do congresso homossexual é substituído por outro homossexual.

E isto são boas notícias não por qualquer razão de lobby ou de simpatia espontânea e irracional por alguém pelo simples facto de ser homossexual. São boas notícias porque a visibilidade na vida pública, seja na política ou noutra qualquer área, mas sobretudo na política, é a melhor, a mais eficaz, e provavelmente a única arma contra o preconceito e a homofobia. Ser um político eleito quando se é um homossexual assumido significa pelo menos duas coisas muito positivas: a primeira é que o próprio não teve medo de expôr a sua orientação sexual nem de que essa orientação o pudesse prejudicar; a segunda é que quem o elegeu não teve medo que a orientação sexual do eleito pudesse ser um factor prejudicial, quer à sua eleição quer sobretudo ao seu desempenho politico. Ou seja, nem medo nem preconceito!
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