October 29th, 2012

rosas

jack holmes and his friend

9781408805794

Acabei de ler ontem à tarde Jack Holmes and His Friend, um romance do Edmund White. Acho que já aqui tinha escrito que em relação aos livros do White parece que gosto sempre mais daquele que estou a ler ou que acabei de ler, e isso passou-se novamente com este livro que marca o regresso do autor ao campo da ficção, depois de ter escrito sobretudo livros de pendor memorialista.

O livro segue em três momentos diversos, em termos cronológicos e narrativos, a relação de amizade entre dois homens, um homossexual e outro heterossexual, e, como qualquer romance que se preze, tem vários planos de leitura, desde o mais romanesco, passe o pleonasmo, até à crónica de costumes, nomeadamente no que toca à maneira como a homossexualidade tem sido socialmente encarada, inclusivamente no plano mais íntimo da amizade pessoal.

A escrita do Edmund White é um primor. Leve, com uma elegância e fluidez admiráveis, com grande destreza quer de sintaxe quer de vocabulário, muito humorada e divertida, mas com uma capacidade de ser profunda e perspicaz sempre que é preciso. Além de tudo o mais, o White deve ser o escritor que eu conheço que melhor consegue escrever (nos planos literário e ficcional) sobre sexo. Mesmo sobre o sexo entre heterossexuais, como é o caso neste livro. Acho que os escritores nacionais, sempre tão desastrosos a escrever sobre sexo, deviam fazer workshops para analisarem e aprenderem com os livros do White!

Mas para além de ser muito divertido, este livro do Edmund White, como todos os seus livros de resto, é muito provocador, e teve o condão de me pôr a pensar seriamente sobre assuntos em que nunca tinha reflectido, ou a fazer revisões sobre outros assuntos acerca dos quais já tinha dado tudo por estabelecido. Durante a leitura tenho imensas ideias de temas e assuntos para escrever aqui; felizmente de alguns já me esqueci, e em relação a outros, para falar com franqueza, mais valia esquecer-me. Mas o ponto é que nunca deixo de me assombrar não apenas com a forma como o Edmund White aborda certos temas, mas sobretudo com o modo como essas abordagens dialogam comigo, e me põem a pensar.

Seja como for, tenho muitas passagens do livro sublinhadas (se bem que no kindle não haja lápis para sublinhar) e tenho temas e assuntos mais ou menos pensados, de maneira que nos próximos tempos é natural que este diário ainda reflicta a influência do livro do White.

Só mais uma nota: terminei a leitura do livro ontem durante a tarde no café. Como já tinha lido a amostra de um outro livro, de um escritor português contemporâneo cujo livro está à venda na loja kindle da Amazon, liguei-me por wireless e fiz o download desse outro livro. isto só para dizer que estou cada vez mais fã do kindle e já me aborrece pensar que tenho de ler determinado livro em formato físico.