October 26th, 2012

rosas

vânia fernandes e júlio resende

Fui ontem à noite ao (estupendo) auditório do Conservatório de Música de Coimbra ouvir a dupla Vânia Fernandes-Júlio Resende a fazerem um concerto com reinvenções e reinterpretações de clássicos do jazz e do blues, e até da pop e da canção popular portuguesa.

O que me levou ao concerto foi sobretudo a enorme curiosidade que tinha em conhecer ao vivo o piano do Júlio Resende, e as minhas expectativas foram inteiramente compensadas: um músico extraordinário, seguro o suficiente para se poder soltar sem perder o pé e a coerência, com um domínio absoluto das linguagens das canções originais, mas com maturidade para poder construir versões muito livres e imaginativas, mas muito respeitadoras. Ao fim de duas ou três canções toda a minha atenção estava focalizada no piano, e a experiência de passar um concerto a seguir o piano e a ser entretido pela voz foi surpreendente e maravilhosa.

A Vânia Fernandes é uma cantora jovem (que já venceu uma edição do festival da canção e outra da operação triunfo), mas já com trunfos a seu favor: a afinação, o cuidado na dicção, a vontade de crescer com as canções e não o contrário, o à-vontade em palco. Noutras circunstâncias ter-me-ia conquistado plenamente, mas com um pianista em palco da dimensão do Júlio Resende é difícil roubar-lhe o protagonismo. Nem é que fosse caso disso, até porque a esta série de concertos em dupla, os músicos deram o nome de cumplicidades.

Pena o auditório estar tão vazio. A iniciativa destas Quintas-feiras com o auditóruio do Conservatório aberto ao público em geral justificava mais gente. Mas sobretudo a grande qualidade dos músicos e o belíssimo concerto que proporcionaram mereciam seguramente ser desfrutados por mais pessoas.