October 24th, 2012

rosas

dulce veiga

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Já não me recordo se foi combinado ou espontâneo, mas quando fui ao Rio, em 2004, levava um saco de livros para o Saint-Clair, uns dados outros emprestados, e, quando nos encontrámos creio que no próprio dia da minha chegada, o Saint tinha outra sacada de livros para mim, de igual forma uns oferecidos e outros apenas emprestados. E eram tantos que no momento em que embarquei de regresso, o tipo da alfândega me obrigou a despejar a mochila para confirmar se aquilo tudo eram mesmo só livros.

Francamente já não recordo de todos os livros que dei ao Saint, nem sequer de quais é que eram apenas emprestados. E, de igual modo, também já não me lembro quais, de entre todos os que ele me deu, é que o foram apenas a título de empréstimo. Mas chega de contabilidade livresca.

Entre os livros que ele me entregou havia um , Pequenas Epifanias, que comecei a ler nessa mesma noite, no quarto do hotel onde fiquei alojado. E que, de certa maneira, marcou o meu encontro fulgurante com a escrita de Caio Fernando Abreu, de quem li, entre 2004 e 2005, mais de uma mão-cheia de livros (assim de cabeça lembro-me de seis, mas pode ser que tenha havido mais um ou dois). E durante muito tempo confrontei-me com o quase desconhecimento da literatura de Caio F em Portugal, e com a absoluta inexistência de livros seus publicados cá.

Foi por isso com emoção que um dia destes entrei na minha livraria habitual e vi numa das mesas da entrada Onde Andará Dulce Veiga?, um romance da autoria de um escritor sobretudo dedicado aos contos, e que foi um dos meus livros favoritos do autor. Trata-se de uma edição da Quetzal que, pelos vistos, lançou uma colecção dedicada a Caio F pretendendo desse modo editar outros livros (o que pode significar que poderei ler finalmente uma das suas obras decisivas, Morangos Mofados, à qual nunca consegui deitar o dente).

Para além da emoção de ver uma obra de Caio F à venda numa livraria da minha cidade, senti uma vontade quase irresistível de comprar o livro para o ler de novo (sim, eu sei que tenho em casa a edição que o Saint me deu). Ainda não decidi se o compro ou não, mas acho que o vou reler mais tarde ou mais cedo. Aliás, ando com saudades de Caio F e da experiência espiritual e intelectual que foi conhecê-lo e lê-lo, sobretudo da maneira como o fiz, em dose maciça.

E, já agora, ando também com saudades do Saint.