October 20th, 2012

rosas

qui bat cœur à corps perdu

Foi uma semana complicada, e soube da notícia da morte da Sylvia Kristel sem ter tempo ou disposição para alinhar duas linhas sobre o assunto. Mas recebi um mail do Bruno que, de certa maneira, resume e sublinha a importância, cultural, icónica, que Sylvia e o seu papel de Emmanuelle tiveram para uma geração. Não falo da geração anterior à minha, dos que correram para as salas para ver o filme que, de certo modo, caucionou a presença da representação do sexo nos grandes ecrãs do mainstream. Falo da outra, que veio a seguir, de que eu e o Bruno fazemos parte, que ainda não tinha a idade legal para ir ao cinema ver o fruto proibido, e por isso ficava cá fora, a olhar para os cartazes, e para quem, mais do que a representação do sexo, Emmanuelle, e sobretudo Sylvia Kristel, foi a representação do desejo.

Devo dizer que no meu caso, e como tantas vezes acontece, o símbolo que guardo do impacto que Emmanuelle teve nesse adolescente que fui, é sobretudo a música, a canção de Pierre Brachelet que foi tema do filme. E se Emmanuelle há muito se desvaneceu, e a Sylvia Kristel acaba de nos deixará, estou certo de que esta canção não findará jamais de se ouvir. Pelo menos por mim.

Com sua autorização, aqui fica o texto do Bruno, e mais lá para baixo a canção de Emmanuelle:

"Amigos,

Mélodie d'amour chante le cœur d'Emmanuelle...


Morreu Sylvia Kristel. Sei, sei, podem falar o que quiser, mas fiquei triste pois um ícone de minha juventude se foi. Estas lembranças vivas de minha juventude são agora história. E quem hoje se lembra de Sylvia Kristel, de Emmanuelle? Só mesmo quem viveu aquela época.

Num dia de semana, devia ter 16 anos, matei aula com um colega no Colégio Bahiense para ver Emmanuelle, que estava em cartaz no Cine Pathé. Não tínhamos os 18 anos obrigatórios mas decidimos tentar mesmo assim. A censura militar ainda vigorava mas a bilheteira foi generosa, fez vista grossa aos nossos rostos de rapazolas, talvez por não haver muito público para a sessão das 13 horas, e nos deixou entrar. Suávamos frio, assistimos o filme como se estivéssemos em transe diante da maior maravilha cinematográfica dos últimos tempos...

Aprendi de cor a música - fiz questão pois já estudava francês (aliás minha compreensão do francês nunca mais foi a mesma...); aprendi como tornar um voo da Air France entre Paris e BangKok, digamos, mais prazeiroso; aprendi que o máximo do erotismo na época hoje nem seria um pornô soft... Ela não era vulgar, era poética até. Enfim, tudo isto para dizer que o binômio Kristel/Emmanuelle marcou-me profundamente.

Muitas águas rolaram, sobretudo em termos de sexualidade, mas Sylvia Kristel ficou, e com muito carinho. Acho que porque perdi minha virgindade "filmográfica" com ela naquela tarde e estas coisas assim nunca se esquece. Hoje seria algo pós-moderno, fusão perfeita de personagem e ator, e ainda mais com nome santo, mas na época, sei lá....

Descanse em paz la Kristel.

Seu admirador,

Bruno"