October 8th, 2012

rosas

o grande poder transformador

Sexta-feira, feriado. Saio de casa muito cedo, ainda mal desponta a luz do dia, limpa e fresca. Entro na auto-estrada do norte, quase sem movimento, e sigo para sul. Cruzo o rio na ponte das lezírias, e durante largas dezenas de quilómetros estou sozinho – na estrada, na manhã, no mundo. Só eu e a companhia do cd que toca no auto-rádio, o Caetano a cantar a solo, no disco do concerto ao vivo com Maria Gadú. Oiço em loop (como agora, quando escrevo isto): "a tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim".

Poucas horas depois, saio da A22 e entro em Portimão. Antes sequer de ir pousar o saco, de tomar um duche e mudar para roupas mais frescas, paro o carro ali ao pé do Jardim Gil Eanes, e mato saudades.

A princípio estranhou-me, choramingou um bocadinho. Mas logo a seguir fez-se ao meu colo, o sono a impor-se. Embalei-a a caminhar pela casa, a cantar baixinho, marcando com pancadinhas muito leves o ritmo do sambinha. A minha sobrinha-neta adormeceu assim, ao meu colo, e com o Caetano Veloso. "Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim, cantando eu mando a tristeza embora".