September 28th, 2012

rosas

fun home

fun home

É verdade que não sou muito dado à leitura de BD e de novelas gráficas, mas também não tenho nada contra. É mesmo, suponho, uma questão de hábito, ou então é mesmo porque a literatura pura e dura, quer dizer sem quadradinhos, me diverte mais. E de vez em quando lá calha, como foi agora o caso deste Fun Home, da Alison Bechdel.

O livro tem a particularidade de ser uma memória, o que, por seu lado, me deixa logo entusiasmado. Depois, a autora é praticamente da minha idade, o que cria algumas conexões geracionais, e mesmo culturais, salvaguardadas, como é óbvio, as distâncias entre a Pensilvânia rural e os lugares onde eu passei a infância e a adolescência.

Tratando-se de uma memória, o livro tem pouco a ver com as tradições do género. Não apenas por ser um livro narrado graficamente, mas sobretudo por causa do tipo de temas que interessam á autora e da estrutura narrativa do próprio livro, não-linear, recorrente, literária, psicanalítica. Tudo regado com a dose certa de humor e ironia.

Julgo que não faz muito sentido dar demasiado enfoque ao facto de o livro lidar com várias das chamadas questões de género, pois isso limitaria seriamente o seu escopo. Mas por outro lado não deixa de ser significativo que o livro conta a história de uma lésbica, a quem sucedem algumas coisas muito importantes num perturbadoramente curto espaço de tempo: a descoberta da sexualidade, a revelação aos pais, a morte do pai sobre a qual paira a suspeita do suicídio, e a descoberta de que o pai tinha ele próprio uma homossexualidade reprimida.