September 12th, 2012

rosas

a arte da viagem

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Passei grande parte do Verão a ler, ou a tentar ler, A Arte da Viagem, a edição portuguesa do livro The Tao of Travel, do Paul Theroux. Eu tinha visto o livro à venda em inglês e tinha resistido a comprá-lo, porque me pareceu pouco interessante, mas depois comprei a edição portuguesa (da Quetzal) um pouco compulsivamente, e o resultado foi este de ter demorado meses a progredir na leitura.

A Arte da Viagem tem muito pouco a ver com os restantes travelogues do Theroux, e se não fosse eu ser um tipo bem intencionado, diria que este livro era uma espécie de rip-off do Theroux para tentar sacar umas massas àqueles que ele sabe que lêem sempre os seus livros.

De facto, mais do um livro de viagens de Paul Theroux, trata-se aqui de uma espécie de compêndio da literatura de viagens ‘according to Theroux’. Organizado por temas, cada capítulo tem normalmente uma introdução, mais ou menos breve, mais ou menos superficial, e depois uma série de excertos, que muitas vezes não passam de meras citações, de livros de viagens de autores mais ou menos consagrados do género, ou de livros incontornáveis no âmbito da literatura de viagens. Determinados capítulos especiais propõem-se fazer uma análise um pouco mais detalhada de um determinado autor.

O resultado, na maior parte das vezes, é aborrecido, e nas poucas em que não o é, não desperta muito mais entusiasmo do que, digamos, um número razoavelmente atrasado das Selecções do Reader’s Digest. E se há referências a livros e escritores que nos põem na pista de novas descobertas e leituras, a maior parte dos excertos, pela sua brevidade, não chegam para despertar a curiosidade, quanto mais o interesse.

Além disso, a falta daquilo que normalmente fascina na prosa de Theroux (a atenção aos detalhes, a ironia, o distanciamento, e sobretudo o pendor narrativo da escrita) põe mais em evidência aquilo que nela é mais irritante: a presunção em relação àqueles que o lêem, e a invejinha em relação a outros escritores de viagens, nomeadamente aqueles contemporâneos que com Theroux disputam directamente a popularidade por parte dos leitores aficionados do género.

Mas devo dizer, para finalizar, que o facto de o livro me ter dado um bocado de seca, não me indispôs nada contra o Paul Theroux e as suas obras, e que, ao contrário, até me deu vontade de ler um dos seus livros a sério.