September 10th, 2012

rosas

hope springs

Gosto de ir ao cinema à matiné no final da tarde de sexta-feira: ajuda a dissipar a tensão do trabalho, acrescenta horas no início do fim de semana, e, principalmente, substitui o jantar, razão de peso (trocadilho intencional) para quem anda sempre na casa dos três dígitos na balança.

A semana passada achei que Hope Springs (que tem o título em português de Terapia a Dois, um fenómeno de subtileza) seria uma boa opção: uma comédia romântica, levezinha, feita pelo mesmo realizador de uma comédia bastante razoável (David Frankel e O Diabo Veste Prada), reincidindo com a Meryl Streep, que tem uma maneira de fazer comédia muito eficaz, porque tem uma noção do que é uma pessoa divertir-se que contagia, acrescentando um excelente actor que é mais raro nas comédias, mas não menos interessante, o Tommy Lee Jones.

E é verdadeiramente espantoso como o resultado é fraco e bisonho. Como se desperdiça uma boa ideia de comédia, um argumento não completamente desprovido de habilidade, e sobretudo uma parelha de actores notável, que tenta desesperadamente entregar ao filme o potencial de comédia que ele vai perdendo pelo caminho.

Para além de Streep e de Tommy Lee Jones, o filme conta ainda com o Steve Carell, num papel muito anti-type cast, mas que é só um bocadinho bem sucedido na tentativa de emprestar auto-ironia ao seu jogo (ok, Carell não será propriamente o mais subtil dos comediantes).

Só mais uma notinha para dizer que o filme apresenta-se como uma dramedy, ou seja não tanto uma comédia romântica, mas mais uma mistura de drama e comédia. Talvez com isso se pensasse salvar o tom sombrio do filme, mas acho que nem assim.