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man on the moon
rosas
innersmile
Uma das poucas notícias que me chegou enquanto estive ausente, de férias, foi a da morte de Neil Armstrong, o homem que, ao dar um pequeno passo na superfície lunar, fez a espécie humana dar um salto gigantesco. Em 21 de Julho de 1969 eu tinha 7 anos de idade e Neil Armstrong entrou para a galeria dos meus heróis de infância, lugar onde ainda permanece, juntamente com o Mandrake, o Fantasma e o Rip Kirby.

Ontem a minha mãe pediu-me para eu ler um texto que ela escreveu num documento do processador de texto que eu lhe criei quando comprámos o computador, para a incentivar a escrever histórias e recordações da sua vida, e ao mesmo tempo manter-lhe o gosto pela escrita e as suas competências dactilográficas. Hoje pus o texto na sua página do Facebook. E agora, quase sem alterações, e sem ela sequer suspeitar, aqui o reproduzo.

"27/08/2012
Como se pode verificar desde 2010 que não escrevo nada. Mas aparece alguma noticia inesperada e, de repente, lembranças de uma época vivida num 'mundo' diferente do actual, despertam todas as nossas energias e, sem darmos por isso, somos transportados ao passado. Um passado bonito, cheio de coisas bonitas, com muitas pessoas bonitas, de que temos muita saudade. O que veio transportar-me ao passado nem sequer foi uma noticia agradável. Morreu NEIL ARMSTRONG, o primeiro homem a pisar a Lua. E isto fez o meu pensamento recuar 43 anos. Na cidade de Nampula (Moçambique), o Pavilhão do Clube Ferroviário estava lotadíssimo porque a Diva do Fado AMÁLIA RODRIGUES iria cantar, numa noite há muito tempo esperada. Alias, sempre que um artista visitava uma localidade afastada do centro cultural da cidade de Lourenço Marques, era recebido com o grande calor das pessoas sempre prontas a manifestarem o seu apreço. Mas voltemos ao assunto principal do recuo da minha memória e de ter invocado o nome de Amália. Líamos, falávamos, ouvíamos noticiários do Rádio Clube de Moçambique sobre a ida dos cosmonautas à Lua. O que verdadeiramente as pessoas presentes naquele inesquecível espectáculo não esperavam, seria alguém entrar no palco, falar ao ouvido de Amália e, esta Senhora anunciar o grande feito do Século XX. NEIL ARMSTRONG acabava de pisar a LUA! A ovação foi enorme. No lindíssimo palco estavam todos de pé, os milhares de pessoas presentes naquele Pavilhão transformado em grande sala de espectáculos, ovacionavam emocionados. Um assunto que não é relevante para pessoas que não viveram num mundo muito especial nem sequer tiveram conhecimento do que ali se passou naquela noite mágica. Quantas pessoas espalhadas pelo mundo ainda se lembrarão destes momentos emocionantes? Isto tudo que aqui escrevi foi um regresso ao passado que me deixa feliz por poder constatar que a minha memória ainda não me atraiçoa e viaja por lindos 'mundos' que durante muito tempo me fizeram viver o que de belo há na vida: ser jovem, ter amigos, estar inserida numa bela sociedade, uma família muito unida - um por todos e todos por um! Hoje, com 81 anos, tenho uma vida de acordo com a idade, com os achaques normais para a idade, mas esquecida pela grande parte das pessoas que conheci quando cheguei a Coimbra. No entanto, o nível de vida que tenho é superior ao normal nas pessoal na minha condição de 'refugiada'… A grande felicidade de ser cuidada por um filho que me enche de felicidade; o marido, com 83 anos mas já com muita falta de memória mas sempre um bom companheiro. Enfim, uma vida ainda com algo de interesse. É curioso como uma noticia do jornal veio despoletar o desejo de manifestar desta maneira as recordações que estavam muito arrumadinhas nas gavetas da minha memoria. Oxalá o meu filho queira ler isto e possa entender quanto fui feliz nestes momentos. Voltarei com mais recordações se o Bom Deus me ajudar."