August 30th, 2012

rosas

360

360 não será exactamente uma obra-prima, uma obra fundamental do cinema, mas está longe de ser o desastre com que a critica o tem arrasado. Embora se apresente como um filme de argumento (de Peter Morgan, o autor de The Queen), o segredo da sua eficácia, na minha opinião, é sobretudo mérito do realizador, o brasileiro Fernando Meirelles, aqui na sua terceira produção de marca anglo-saxónica, depois de The Constant Gardener e de Blindness, a adaptação do Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, filme que, de resto, já tinha sido objecto de má crítica.

O filme pretende abordar o universo e o tom das relações afectivas que é possível estabelecer no mundo de hoje e na maneira como vivemos as nossas vidas, através de uma série de histórias autónomas, nove creio, que, em diversos pontos do globo, se vão interligando até perfazerem um círculo (perfeito?, como avança a adaptação portuguesa do título). Ora, na minha opinião, o mérito de F. Meirelles é precisamente o de conseguir, com economia de recursos e de informação, criar personagens e histórias em que acreditamos.

Gostei bastante da banda sonora do filme, mas não a consigo encontrar em parte nenhuma, nem sequer uma listagem dos temas que a constituem. E as pesquisas no google são prejudicadas pela quantidade de links que aparecem para jogos de computador. Pelos vistos, 360 é um nome muito popular. Gostei sobretudo de um tema que me pareceu ter um sampling do tema da banda sonora de Emmanuelle, um filme erótico que foi muito famoso nos anos 70.

E é impossível não referir o cast alargado do filme, com destaque para o Anthony Hopkins, o Jude Law, a Rachel Weisz, o Ben Foster e o Jamel Debbouze, um actor que gosto sempre de ver trabalhar. E já agora, para os interessados, chamo a atenção para o brasileiro Juliano Cazarré, que pelos vistos é habitué das novelas, mas que eu não conhecia, e é um actor de talentos muito evidentes e vistosos.