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the cry of the owl
rosas
innersmile
tcoto

The Cry of The Owl, um dos mais famosos livros de Patricia Highsmith, foi a minha leitura de férias. Segundo aquele princípio enunciado pelo Paul Theroux de que nunca se deve ler em viagem um livro que tenha alguma coisa a ver com o lugar onde estamos.

Trata-se de um thriller psicológico, denso e claustrofóbico, mas que a escrita directa e simples da autora torna numa leitura irresistível. A história começa com um caso de voyeurismo, mas em que a gratificação de quem espreita é muito mais emocional do que sexual. Depois as posições invertem-se e a rapariga observada começa a desenvolver uma obsessão pelo homem que a espreitava, e, mais uma vez, essa obsessão não é tanto amorosa, mas tem sobretudo a ver com a necessidade de encontrarmos como que uma explicação (ou mesmo uma certa expiação) em relação àquilo que nos faz sofrer mais intensamente.

A PH nem sempre é uma escritora perfeita, mas quando acerta, lê-la é um prazer imenso. The Cry of The Owl, de que já foram feitas algumas versões para cinema (e o livro pede-as!), inclusivamente uma da autoria de Claude Chabrol, é um livro muito bem concebido e construído, onde por vezes acontecem coisas que podem parecer um pouco erráticas mas que no fim fazem todo o sentido. Mas é sem dúvida a escrita e o domínio da narrativa que mais atraem na PH.

É interessante ler os livros de um autor depois de termos lido uma boa biografia sobre si. Fui rever as páginas de Beautiful Shadow, uma biografia da PH de autoria de Andrew Wilson, que se referem à escrita deste livro, e não deixa de ser uma lição perceber o modo como os escritores transferem para os enredos dos seus livros e para os seus personagens, os dramas e os problemas que viveram na altura em que os escreveram.