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old things
rosas
innersmile
(para o N.)

Foto0381

"There must be a special place for dead water, dead furniture, for that paraffin oil heater, for the broken toilet bowl in the disused outdoor toilet, for the dead three-piece suit, for the sagging bed, the ancient mattress, the rusty bath, the handy contraption with a little wheel used to whip fresh cream. There must be also a special place in the mind and the memory for these old things, for the aura of these room, but there is not. That moment when you come downstairs in the old house where someone is sick, or find yourself with a black plastic bag in the house. You are trying to clear things so the house can be sold. You are trying to take photographs with your eyes, to transform the grim tension of dead space into something memorable, useful, with meaning. But nothing happens. It is easier, or almost easier, if you sit and close your eyes and let the words come. Try saying it again."

- Colm Tóibín, A GUEST AT THE FEAST, A MEMOIR (Penguin, no Kindle)

Quando hoje tornei a ler este trecho de um livro do Colm Tóibín que li há mais de um mês, senti uma opressão no peito, quase um arrepio de angústia. O Tóibín tem, como certamente já referi anteriormente, uma capacidade rara de dar nomes e palavras a emoções muito subtis, àquelas emoções que até preferimos nem sequer verbalizar por serem demasiado dolorosas.

Ontem uma amiga muito próxima e que me tem ajudado muito a resolver os problemas de saúde dos meus pais, em especial da minha mãe, mandou-me uma sms a dizer que tinha chegado a vez dela, e que desta vez estava no hospital com o seu próprio pai. Outra amiga telefonou-me hoje de manhã a despedir-se, já de dentro do avião onde esperava levantar voo de regresso a casa, nos Estados Unidos. Vai-se embora muito angustiada e cheia de preocupação com o estado de saúde em que deixa os pais, principalmente o pai.

Ao falar com estas duas amigas, lembro-me muito vagamente de ter lido algures uma coisa sobre o problema dos filhos que têm de lidar com os seus parentes muito idosos, e do tumulto emocional que isso acarreta. Mas depois lembro-me também de um amigo que há poucos dias perdeu o pai. Esse meu amigo é muito jovem, tem idade para ser meu filho, o que significa que, porventura, eu terei uma idade aproximada à do pai que perdeu. E que afinal é uma bênção termos de lidar com os problemas dos nossos pais idosos: o medo de que possam partir há-de ser infinitamente mais suportável do que o vazio de percorrer uma casa com um saco negro de lixo na mão.