July 30th, 2012

rosas

11

O innersmile faz hoje 11 anos.

É importante, para mim, marcar esta passagem do tempo. Não tanto, mas também, para celebrar a sua antiguidade (gosto de coisas velhas), mas sobretudo para assinalar que este diário online é um registo da maneira como eu me relaciono com o tempo, como eu passo pelo tempo e o tempo passa por mim. Tenho muitos diários dispersos e esparsos, mas este, público, ou pelo menos disponível ao interesse (ou ao desinteresse, vá) ou à simples curiosidade dos outros, escrito com a consciência de que poderá ser lido por outros olhos, amigos ou completamente desconhecidos, compassivos ou indiferentes, este diário, dizia, está comigo de forma regular e consistente há mais de um quinto da minha vida! O que, num tipo que tem cinquenta anos redondos, não é, apesar de tudo, dizer pouco.

Admito que por vezes o innersmile tem crises existenciais. Acho que já teve mais, agora é raro, e todas as que tem não são identitárias ou angustiadas, mas têm sobretudo origem num certo desânimo por falta de feedback, de resposta, de reacção. Há, como resulta do que escrevi atrás, uma certa, enorme, diferença entre escrever só para nós, por simples impulso ou necessidade de registo, e escrever com a certeza de que também estamos a escrever para os outros lerem, mesmo que não se escreva apenas para os outros. E nisso o innersmile é e continua a ser um exercício de gozo pessoal, escrevo-o essencialmente porque me dá prazer.

Mas, como ia a escrever, escreve-se para outros lerem, e por vezes isso é uma tarefa esforçada, resiliente, comprometida, que consome tempo, trabalho e concentração. E é inevitável sentir um certo desânimo quando do outro lado só há a vazia indiferença de uma parede silenciosa. Por isso neste dia de aniversário tenho de falar do meu amigo João Roque a quem agradeço, do coração, a companhia que me faz e o conforto que me dá de não me deixar a falar sozinho.

Não sei se o innersmile é um diário, íntimo ou não, um bloco de apontamentos, um blog, um jornal de parede. É, acho eu, o lugar onde me dá mais prazer relacionar-me com o mundo (e o tempo, lá está) através da escrita, sobretudo através da escrita. Acho que cada vez mais o vejo como um caderno diário, como se dizia quando eu andava na escola primária. Onde rabisco e rascunho, e também para onde passo a limpo o que quero guardar. Acho que lhe podia mudar o nome para sebenta, aqueles cadernos lisos um bocado beras que havia antigamente (não sei se ainda há, agora uso o livejournal para esse efeito). É assim, desta maneira, não tanto que gosto dele, mas principalmente que ele me é imprescindível.