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orquestra chinesa de macau + drumming
rosas
innersmile
Dois concertos no fim de semana, os que encerraram mais uma edição do Festival das Artes, ambos no auditório ao ar livre da Quinta das Lágrimas.

Ontem à noite, a Orquestra Chinesa de Macau, dirigida por Pang Ka Pang, interpretando temas chineses, composições de Rão Kyao e canções populares portuguesas, um programa especialmente concebido para o festival. De resto o Rão participou no concerto, como solista, em três temas (dois do programa e um em bis).

Foi uma experiência extraordinária, ver uma orquestra completa, organizada por naipes como as orquestras ocidentais, mas com instrumentos tradicionais chineses, e um som e uma música muito diferente da que estamos habituados pelos cânones da música ocidental, seja ela erudita ou popular.

Já esta noite o agrupamento de percussão do Porto, Drumming, outra experiência fora de vulgar. No programa uma composição de António Chagas Rosa, e um solo e as Plêiades, ambas de Iannis Xenakis. Há muito que tinha curiosidade e interesse em assistir a um concerto deste grupo, e foi totalmente recompensador. Claro que a música sai completamente fora do que estamos mais habituados a ouvir, quer por exigências da própria composição para percussão, quer porque, pelo menos no caso de Xenakis, se tratar de peças de música contemporânea.

Gostei bastante, sobretudo das Plêiades, em que os seis percussionistas do Drumming tocaram três dos quatro andamentos da peça, correspondentes aos três grupos de instrumentos para que foi concebida: metais, teclas e peles. Sobretudo este andamento, com que o concerto terminou, foi espectacular de ritmo e energia. Fiquei fã dos Drumming e espero ter mais oportunidades de os ver tocar ao vivo.

Só mais uma notinha, para dizer que o auditório Colina de Camões, como pomposamente se chama, é muito bonito (ainda que num género um pouco armado ao pingarelho que o seu nome prenuncia), mas incómodo e desagradvelmente gelado. A música, ou pelo menos o tipo de música destes dois concertos, pede um auditório à altura, onde a qualidade do som seja o primado absoluto, mas onde o conforto ajude a audiência a concentrar-se na função. Por outro lado, tem uma vantagem imbatível: em noites limpas como foram estas duas, é uma delícia absoluta estar a ouvir a música e a olhar o magnífico céu estrelado. Sobretudo na noite de hoje, em que uma das composições também falava de estrelas, foi um privilégio assistir ao concerto acompanhado de uma fulgurante Ursa Maior, a brilhar mesmo por cima do palco.
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