?

Log in

No account? Create an account

the imperial hotel
rosas
innersmile
Já aqui disse que uma das coisas que me encanta nos diários do Christopher Isherwood é a capacidade narrativa da sua prosa, mesmo num registo mais factual como é o diarístico. O trecho que ponho a seguir é disso exemplo.

Só para contextualizar, corresponde a uma entrada de Dezembro de 1963, quando Isherwood, acompanhando o seu Swami, viaja da Califórnia para a Índia, para passar um tempo num dos principais centros religiosos do culto hindu de que é discípulo. Fazem escala em Tóquio e numa ocasião acompanha um dos monges americanos do grupo, que precisava de fazer umas compras. A referência à visita anterior ao Hotel Imperial diz respeito à viagem que Isherwood e W.H. Auden fizeram à China para observarem a guerra sino-japonesa e da qual resultou o livro em coautoria Journey To A War.

Este trecho, mais breve do que o espaço que ocupei a apresentá-lo, é magnífico pela maneira como em poucas frases Isherwood cria uma cena que poderia perfeitamente pertencer a um romance ou a um filme, mas que, graças à riqueza da sua escrita, contém inúmeras hipóteses narrativas. De resto, esta sugestão de ficção é assumida pelo próprio autor quando confessa, subtilmente, a improbabilidade do quadro simbólico que a sua memória lhe devolveu.

"We (…) then peeked into the Imperial Hotel. I felt a wave of sentiment for the old place. Wystan and I first saw it in 1938, and my memory clings to an improbably symbolic tableau: under a chandelier (which certainly isn’t there nowadays though that in itself proves nothing) stand two figures in uniform, a Japanese officer and a Nazi gauleiter; in fact, The Axis. As I regard them, the chandelier begins to sway – and this is my first earthquake!"