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antónio zambujo
rosas
innersmile
Concerto maravilhoso do António Zambujo, ontem à noite, na Casa da Música. Finalmente, o Zambujo ao vivo. Há muito tempo que eu estava cheio de vontade de o ver ao vivo, mas nunca tinha acontecido. Sou seu fã desde que o vi, há anos, num musical do Filipe la Féria, Amália, em que fazia de primeiro marido da fadista. Claro que eu (com a ajuda da minha mãe, que nisto do fado é imbatível) sinalizei logo a voz e nunca deixei de a seguir, até chegar aos discos.

Essa vontade imensa era alimentada pelos muitos clips de concertos do Zambujo que tenho visto no YouTube, e o concerto de ontem confirmou aquilo que eu estava à espera: a afinação do Zambujo é perfeita, a acrescentar a um timbre tão belo quanto subtil, mas isso já sabíamos dos discos. Mas ao vivo é que se percebe o à vontade com que Zambujo habita quer a sua voz quer as canções que canta, o que lhe dá uma liberdade muito criativa e faz com que os concertos sejam de facto uma performance que nos dá mais, muito mais, do que o que conhecíamos das gravações.

Claro que para isso muito contribuem os excelentes músicos que participam no concerto: para além da viola de António Zambujo, o Bernardo Couto na extraordinária guitarra portuguesa, José Miguel Conde no clarinete, Jon Luz no cavaquinho, e Ricardo Cruz que toca contrabaixo e é o director musical. Com este line up inteligente, Zambujo consegue fazer uma música muito portuguesa, sempre devedora ao fado mas nunca dele prisioneira, e que convoca e conjuga o melhor do arco que liga a música portuguesa à brasileira e à africana.

Um concerto, como se sabe, é feito tanto pelos artistas como pelo público, e o do auditório da Casa da Música esteve muito bem, caloroso e atento, não regateando aplausos que em alguns casos foram entusiasticamente prolongados. A única nota dissonante surgiu mesmo no final: Zambujo estava disponível para regressar ao palco para um segundo encore, mas o público cortou-lhe as vazas e esvaziou rapida mas prematuramente a sala. É pena, tinham sido mais uns minutos de um dos melhores concertos a que assisti.
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