July 13th, 2012

rosas

magic mike 3*

Magic Mike e à primeira vista um filme um pouco bizarro: um filme mainstream, com actores habitualmente distribuídos em papeis heartthrob das matinés, centrado na vida de uma trupe de male strippers de um clube feminino na Florida. Vamos lá aviar já esta parte: o filme está carregado de tipos giros, que se multiplicam em cenas de erotismo de clube de strip-tease, entusiasmante para quem gosta do género. A quantidade de hot male body em exibição criou à volta do filme um certo hype, alimentado sobretudo por pitas adolescentes e por gays de variada espécie. Veredicto: não é uma coisa assim desmesurada, sobra em body pump o que falta em provocação, mas, é claro, é sempre uma maneira de distrair e entreter a vista.

Mas há mais do que isso. O filme é realizado pelo Steven Soderbergh, e isso não é dizer pouco. Soderbergh (de que há bem pouco tempo tinha visto Haywire e há não muito Contagion) faz muitos filmes, uns deles mais industriais, outros mais pessoais. Mas são sempre filmes narrativamente intensos, grandes exercícios na arte de contar uma história e de falar em emoções, através do poder das imagens em movimento. Magic Mike anda ali na fronteira do melodrama e da comédia romântica, e tem, como é habitual nos filmes de Soderbergh a capacidade de nos trazer para dentro da acção através da inteligência.

A história é do tipo ritual de passagem, soçobra aqui e ali nos clichés do género (principalmente nos que querem dar espessura psicológica ao drama existencial dos strippers - isto é suposto ser uma piada irónica!), não ficamos muito comovidos com esta história muito pessoal de Channing Tatum (que estrela e produz), mas há no filme uma vivacidade narrativa que o salva da espuma das sessões desoladoras dos finais de tarde de sexta-feira.