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a guest at the feast
rosas
innersmile
A Guest at the Feast

A editora Penguin lançou uma colecção de e-books muito curtos, a preço proporcional, passiveis de serem lidos de um único fôlego, nas deslocações de transportes públicos, ou entre o jantar e a hora de deitar. Um dos livros que foi editado no lançamento da colecção é A Guest At The Feast: A Memoir, do irlandês Colm Tóibín, que é um dos meus escritores favoritos.

Trata-se de um livro de memórias, o primeiro do género escrito pelo autor, que além de ser um excelente romancista e ensaísta (o seu mais recente livro é uma colecção de ensaios sobre escritores e o papel que as suas famílias tiveram nas respectivas carreiras), é um dos melhores contistas no panorama da ficção anglo-saxónica contemporânea. E a sua mestria está bem à vista neste conjunto de episódios que, em traços largos, cobrem a infância e a adolescência de Tóibín, passadas no sudeste da Irlanda, e a sua vivência universitária, em Dublin.

Curiosamente os temas são os que estão presentes em quase toda a obra do autor: os lugares (particularmente aqueles onde temos raízes, ou onde as abandonámos), o amor (nomeadamente aquele que marca as relações familiares), e os livros e a literatura. Um ponto de interesse suplementar é Tóibín contar episódios da sua biografia que já tratou de formas diversas na sua obra de ficção: a identificação de uma casa, por exemplo, ou mesmo acontecimentos em que foram protagonistas os seus familiares.

Como sempre em Colm Tóibín, o que mais cativa é a própria escrita do autor, o modo como o texto se desenvolve e evolui, mas também a sua espantosa capacidade de falar sobre coisas muito subtis, que reconhecemos como muito intimas e verdadeiras, e que Tóibín consegue desenhar com um rigor absoluto.

Sempre que leio um livro de Tóibín convenço-me de que ele é o melhor escritor vivo da actualidade. Essa assombrosa capacidade de dar nome às coisas ou às emoções é só uma das provas disso mesmo.
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