June 28th, 2012

rosas

padeira

Ontem, no fim do jogo da bola, fui ao facebook (sou incapaz de dizer esta palavra sem me lembrar do Cavaco do Portugalex) mandar umas bocas. Uma delas pretendia ser um exercício de fina ironia: “vá, não é caso para perder o ânimo: los dioses son nuestros hermanos”. Mais do que um comentário ao jogo ou ao seu resultado, queria gozar com o bipolarismo tuga, com a mania terrível de os portugueses depositarem demasiada força anímica numa coisa tão contingente, e dependente de factores que não dominamos, como é um desafio de futebol. E, com um pouco de crueldade, gozar com o facto de que se os deuses, esses seres caprichosos e instáveis, não estão com os portugueses, do mal o menos, sempre estão aqui ao lado, com os espanhóis, de quem, suprema ironia, depende tanto a nossa sobrevivência como país economicamente viável.

A outra coisa que lá escrevi foi uma famosa frase do Gary Lineker, dita em 1990, depois da selecção inglesa perder para a Alemanha na semi-final da Copa do Mundo de 1990, exactamente por grandes penalidades: “Football is a simple game; 22 men chase a ball for 90 minutes and at the end, the Germans win.”

Curiosamente ambos os comentários geraram comentários que, pareceu-me pelo tom (ligeiramente nacionalista e xenófobo ‘blasé’), passaram ao lado da ironia. Mas como se sabe, fazer ironia é como patinar na superfície gelada de um rio, e por isso é muito natural que eu me tenha espalhado.

Mas o ponto aqui é outro. Um dos comentários apelava a Aljubarrota, Já!, e eu lembrei-me de que neste aspecto estamos muito mal servidos, pois cometemos um erro grosseiro de estratégia ao trocar as padeiras pelas butiques de pão quente. Ou seja: menos artilharia e mais gases, duas consequências muito desfavoráveis no campo de batalha!