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religião para ateus
rosas
innersmile
9789722048880

Terminei a leitura de Religião Para Ateus, mais um obra do Alain de Botton, e gostei bastante, como já tinha gostado do anterior, Alegrias e Tristezas do Trabalho. O livro tem como subtítulo ‘Um guia para não crentes sobre as utilizações da religião’, e o ponto de partida do autor é que as sociedades seculares modernas, quando decretaram que deus estava morto, deitaram o bebé fora com a água do banho, ou seja desprezaram os ensinamentos das religiões, que são as mais aperfeiçoadas formas de regulação e suporte dos indivíduos e da vida em comunidade.

O livro é um achado, quer no que toca a ideia que lhe serve de ponto de partida, quer nos vários aspectos analisados, em que os ateus, e as sociedades seculares, deveriam aprender com as religiões a tomar conta das pessoas, a ajudá-las a serem melhores e a terem vidas melhores. Mas é um achado, sobretudo, porque como é habitual no Alain de Botton, não se leva demasiado a sério, e tem a capacidade de nos chamar a atenção, geralmente com um humor desprovido de cinismo, para as nossas falhas e fragilidades. Claro que há muito de blague no livro, mas o ponto é que há nele verdadezinhas simples e essenciais que nos obrigam a reflectir sobre nós próprios a uma luz pelo menos mais crua.

Agora, há um aspecto que passa completamente ao lado do livro, e nem tinha de ser de outra maneira já que não é esse o seu escopo, e que constitui assim uma espécie do seu gémeo sombrio: é que se as religiões sempre foram maneiras de ajudar os indivíduos a fazer face à solidão primordial em que se encontram, desde que nascem, face à morte, também é verdade que sempre foram instrumentos de poder e de opressão, de modo a manter os indivíduos subjugados numa proibição de questionar. É que se, de facto, as religiões ajudam as pessoas a lidar com muitos dos seus problemas e das suas angústias, também não deixa de o ser o facto de muitos desses problemas terem sido criados pelas próprias religiões.