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objectostranscendentes.tumblr.com/
rosas
innersmile
Criei um blog na plataforma tumblr.com para guardar o meu álbum de auto-fotografias a ler livros. A ideia destas fotos surgiu, como quase tudo o que vou fazendo criativamente, aqui no innersmile, e a maior parte delas já aqui apareceu, embora ache que há algumas que nunca publiquei aqui. Depois fui juntando essas fotos num álbum do Google Plus, mas agora já tenho tantas que achei que fazia sentido autonomizá-las e criar um sítio só para elas. Tenho estado a pô-las no tumblr, já lá tenho uma quantidade razoável, e ainda estão muitas em reserva. Claro, muitas delas são já antigas, mas como espero continuar a ler livros (apesar do kindle!) hão-de aparecer outras novas.

O primeiro post do blog será, pelo menos é essa a minha intenção, o único que tem texto, aliás nem tem uma fotografia, só mesmo o texto. Trata-se do poema de Livros, a canção de Caetano Veloso do disco Livro, de 1997. Foi a essa canção que fui roubar o nome do blog, e de certa maneira, como em tantas outras circunstâncias da minha vida, são as canções e as palavras de Caetano que me iluminam.

Para além do título deste texto, o link para o blog está, naturalmente, escondido nas palavras adequadas da letra da canção.



Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.



[E a propósito, o site do Caetano foi completamente remodelado. Deve ter sido muito recentemente, pois ainda há dois dias eu visitei-o e ainda era o velhinho site, de que gostava muito e do qual acho que vou ter saudades. O novo site pode ser conferido neste endereço: www.caetanoveloso.com.br]

querido diário
rosas
innersmile
O dia de hoje começou ontem, e começou mal. Tirei três dias de férias, de hoje até sexta-feira, só para descansar, ler e fazer umas idas à praia para apanhar um bocadinho de sol. Ontem saí do serviço todo contente, vim para casa e, muito inopinadamente, voltei a urinar com hematúrias. Bom, fiquei completamente perdido, desorientado. Ainda por cima foi uma coisa violenta, muito carregada, e que passado um bocado se repetiu de forma ainda mais exuberante. Claro, pus-me logo a fazer telefonemas e passado um bocado tinha uma ecografia marcada para hoje, às dez, pelo médico que me operou. Mas entretanto fiquei bastante mais calmo, porque passado um bocado estava tudo normal, e a hipótese mais natural era ter-se tratado de um coágulo pós-operatório que se soltou.

De modo que hoje comecei as minhas curtas férias no hospital, a fazer exames. Felizmente não houve complicação nenhuma, e o médico também achou que deve ter sido um coágulo, uma coisa que pode acontecer nestes casos. Mas chegou para eu ontem ter apanhado um susto. Ainda por cima já estava a ganhar distância e tranquilidade sobre tudo o que me aconteceu nas últimas semanas, e ontem voltarem as hematúrias foi horrível. Não sei bem porquê, mas é uma coisa que me transtorna imenso, sangue na urina é verdadeiramente horrível, fico com a sensação de que está tudo estragado dentro do meu corpo, horrível, horrível.

Para compensar e entrar depressa no espírito de férias, aproveitei e ao princípio da tarde meti-me no carro e fui para a praia, para Quiaios. Adoro a praia de Quiaios, sobretudo nestas alturas em que aquilo está deserto. Não me atrevo a ir ao banho, não tanto por causa da temperatura, mas porque tenho medo do mar, é uma coisa muito puxada, muito forte, e só de olhar para ele fico com a sensação de que qualquer daquelas ondas pegava em mim e lá ia eu. O respeitinho é muito bonito, e eu, apesar de nadar bem, e adorar nadar no mar, tenho muito respeito por este nosso mar atlântico. E lembro-me sempre da quantidade imensa de gente que anda a passear à beira-mar ou a brincar na praia e é arrastada pelas ondas.

Depois houve o belo do desafio de futebol do euro, e um treino de natação que correu muito bem. Ou seja, atrás de fraca moiteira pode estar um bom coelho e este primeiro dia de férias, que começou de véspera e tão mal, acabou por se compor.