June 9th, 2012

rosas

dançar a vida

9789722049276

Acabei de ler Dançar a Vida, um volume de memórias escrito por Jorge Salavisa. Para quem não sabe, Salavisa foi o primeiro dos bailarinos nacionais a ter uma carreira internacional (e a dele foi toda ela internacional) de bailarino, que o levou a todos os grandes palcos do mundo e a dançar com todas as lendas do ballet clássico da segunda metade do século passado. Pessoalmente. a parte do volume que se refere a este período de bailarino, que vai de finais dos anos 50 a meados de 70, e que ocupa sensivelmente dois terços do livro, foi a que mais gostei. Pelas referências, pelo que aprendemos, pelas histórias, pelos protagonistas, mas sobretudo pela possibilidade que Salavisa nos proporciona, de forma muito viva, de acompanharmos de perto um determinado estilo de vida que está muito longe das existências mais ou menos tranquilas de meros mortais como eu.

Mas para além da carreira internacional de bailarino, Jorge Salavisa teve uma outra, que também está presente no livro. Primeiro como director artístico, e verdadeiro refundador, do Ballet Gulbenkian e, de passo, lançando os fundamentos de um período áureo da dança contemporânea portuguesa. Depois, como dirigente da CNB e do Teatro São Luiz, instituições onde, de novo, deixou uma marca vigorosa.

Naturalmente, e para mais tratando-se de um volume de memórias, Jorge Salavisa conta a sua verdade, e não é raro adivinharmos, pelo próprio teor do texto, que, muitas vezes essa perspectiva poderá não ser a única. Mas até nesta maneira de assumir o seu lado das histórias que conta, o livro é de uma franqueza belíssima, se não mesmo de uma desarmante honestidade. Salavisa não esconde os seus amores, mas também não se nega às suas embirrações. Diz bem à boca cheia, e é sempre elegante quando diz mal. Não se esconde, não disfarça, e quando se auto-compraz nunca é ridículo. Para mais, escreve bem, com humor, com devoção.