June 6th, 2012

rosas

cosmopolis 3*

Foi muito estranho ir ver Cosmopolis, o mais recente filme de David Cronenberg, numa sessão no centro comercial às sete da tarde de um domingo, e a sala estar muito composta de público. Mas mais estranho ainda era, para além dos casalinhos de namorados, haver grupinhos de pitas na audiência. Pitas num filme do Cronenberg? Sim, cortesia do Robert Pattinson, que é um ídolo das adolescentes por conta dos seus filmes de vampiros.

Infelizmente, as pitas acabaram por ser a coisa mais estranha da sessão. Sinceramente estava à espera de mais, e de melhor. Gostei muito da tensão “realista” (olha as aspas!) dos mais recentes filmes de Cronenberg, e este pareceu-me um certo regresso ao ambiente dos filmes futuristas que o Cronenberg fez nos anos noventa, mas sem aquela perturbação existencial que os animava.

Ou então foi o moço Pattinson, que me pareceu demasiado baço ao longo de todo o filme. Podem-me dizer, Ok, era o papel que pedia aquele tom gélido, mas, caramba!, o aço é frio mas é assustador, e o rapaz pareceu-me completamente incapaz de reunir uma fortuna incomensurável, quanto mais de a perder num só dia.

Naturalmente, tratando-se de Cronenberg, há sempre imensas coisas que nos podem interessar num filme, desde as referências à pintura de Rothko à música de Howard Shore, passando pela ideia de criar uma nova unidade monetária internacional, a ratazana. De destacar ainda as participações de Juliette Binoche, Samantha Morton, Paul Giamatti e Mathieu Amalric, que se vão cruzando com o nosso rich kid à medida que ele vai fazendo a sua downfall journey.