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sétima legião
rosas
innersmile
Tenho um desgosto imenso de não ter ido esta noite ver o Stevie Wonder ao Rock in Rio, mas acho que ainda não estou em condições para grandes aventuras, além de que ainda não me passou uma lembrança traumática do parque da Bela Vista.

Mas deus é grande, maomé o seu profeta, e a Sétima Legião tocou ontem à noite no CAE da Figueira, na série de concertos que está a fazer para assinalar os trinta anos da banda. Adorei o concerto. Muito claras as razões pelas quais a Sétima foi uma das mais interessantes, e influentes, bandas do chamado rock português nos anos 80.

Por um lado, uma banda muito antenada com o ar do tempo, muito contemporânea, tem sempre grandes hipóteses de o transcender. Percebe-se assim que a música da Sétima fazia tanto sentido quando a ouvíamos pela primeira vez, nos anos 80 ou 90, e continua a fazer, e a soar jovem e fresca, vinte anos depois. Depois a Sétima fez parte de uma geração de bandas que cruzou a fidelidade aos cânones do rock e da pop com o essencial da música portuguesa de raízes tradicionais, e isso, quando feito com gosto e inteligência, é sempre moderno.

Finalmente, a Sétima foi uma banda bem resolvida, que desapareceu devagar no horizonte da música popular quando os seus intervenientes evoluíram para outros projectos que, vistos desta distância, eram diversos mas de alguma forma devedores ao arrojo musical da banda. Ou seja, a Sétima é, a todos os níveis, uma história feliz da música popular portuguesa, e isso notou-se ontem no concerto, na postura descontraída dos membros da banda, no gozo tranquilo como cediam à exaltação das canções, espírito que, na minha opinião, contaminou o público presente, que não era muito, infelizmente, mas que não regateou entrega. E dançou-se, na sala burguesinha do CAE, o que é sempre uma coisa boa.

Não pensava por aqui nenhum clip mas encontrei este, da autoria de um espectador do concerto de ontem, com um belo som, e que regista a prestação da banda numa canção de uma das referências da Sétima, Atmosphere, dos Joy Division. Uma versão entusiasmante, em que a compulsão gris dos JD fica a ganhar com a exaltante gaita de foles transmontana. Uma jóia.