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o silêncio da chuva
rosas
innersmile
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Acabei de ler O Silêncio da Chuva, o meu segundo Alfredo Luiz Garcia-Roza, e o primeiro policial que o autor escreveu, criando a personagem do inspector Espinosa. Tudo graças ao meu queridíssimo Bruno, que mo deu a conhecer aqui há uns meses e que fez o favor de me enviar mais este volume.

Será, talvez, uma trama mais clássica do que O Perseguido, que era uma obra que usava muitos jogos mentais, muitas dissimulações, para criar um determinado ambiente que verdadeiramente dava substância ao enredo.

Mas as qualidades da escrita de Garcia-Roza estão já todas presentes nesta sua primeira obra de literatura (antes disso, teve toda uma carreira de autor especializado em questões psiquiátricas). A elegância da escrita; o desenho muito cool e cru de um inspector de polícia amante de literatura e sem vocação para herói; a imanência do mal como uma espécie de doença existencial da sociedade; e, em último mas não por último, a escolha da cidade maravilhosa como protagonista e motor da narrativa.

Se O Perseguido nos trazia para o street level de Copacabana e de Ipanema, este O Silêncio da Chuva desenrola-se sobretudo nas ruas, nas avenidas e nas praças do centro da cidade, ao longo do enorme eixo que é a Avenida Rio Branco, e que num dos extremos termina na Praça Mauá, onde Espinosa se vem sentar, entre mendigos e outros down and outs, para contemplar o movimento do porto e reflectir melhor sobre os mistérios do crime.

O que me faz pensar que o único defeito dos livros de Garcia-Roza é criar em mim uma quase dolorosa vontade de fazer a mala e ir viver para ao pé dos meus meninos do Rio.


Recebi a encomenda do Bruno nas vésperas de ser internado, e quando estava a fazer a mochila para ir para o hospital meti lá dentro o livro. Fica também marcada esta leitura pela companhia divertida que Espinosa me fez durante as sempre lentas e amargas horas da enfermaria do serviço de Urologia.