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http://barcosflores.blogspot.pt/
rosas
innersmile
Depois de uns dias longe da net ou com acesso muito breve, estive a actualizar-me pelos meus lugares virtuais habituais e soube, com choque e desgosto, da morte da Amélia Pais, que o jornal, depois, confirmou.

Nunca conheci pessoalmente a Amélia, e o nosso contacto foi esporádico e intermitente. Algumas vezes a Amélia deixou comentários aos meus textos, e outras tantas seleccionou textos que publicou no seu blog. Ao Longe Os Barcos de Flores (de um poema de Camilo Pessanha, tal como a autógrafo com que construí o meu avatar mais frequente) era, é!, um dos melhores blogs literários portugueses, e onde a Amélia publicava tanto textos dos maiores poetas da língua, como daqueles a quem ela chamava ‘poetas meus amigos’.

Raramente senti tanto orgulho naquilo que escrevo como quando a Amélia publicou textos meus. E foi graças a essas publicações da Amélia que vi alguns desses textos aparecerem em lugares da net que desconhecia por completo, e que os citavam a partir do blog da Amélia.

É imensa a dívida a blogosfera para com a Amélia Pais, sobretudo daquela que mais se interessa por literatura. Além do seu blog, e de pelo menos um outro que manteve na plataforma multiply, a Amélia editou fanzines literários e uma newsletter que depositava nas nossas ciaxas de correio electrónico algumas das suas descobertas literárias. Era de uma generosidade sem limites. Nunca a conheci como professora, mas lembro-me de terem comentado comigo que tinha sido uma professora inesquecível.

A net é efémera e superficial. É essa a sua crueldade, o preço que pagamos por tudo aquilo que ela nos dá, sobretudo a disponibilidade da informação e a rapidez da conectividade. A Amélia Pais contribuiu muito para essas duas características tão boas da net. Primeiro porque pôs on-line muita informação que agora temos disponível com a facilidade de uma pesquisa. Depois porque praticou militantemente as ligações, os elos, os contactos, os comentários, os mails, criando, com a sabedoria que os anos lhe deram, redes sociais quando elas ainda não passavam de projectos de jovens geeks visionários.

Cabe-nos a nós não deixar que a presença da Amélia Pais tenha sido efémera e superficial. Continuando a visitar o seu blog, mas sobretudo cultivando com carinho a sua memória, em nome de tudo aquilo que ela tão generosamente nos deu.

talharim à bolonhesa
rosas
innersmile


"Não gostava de outubro e não gostava de domingo. Outubro estava começando num domingo. Pior do que isso só se a segunda-feira caísse num domingo. A chuva recomeçara, e o melhor a fazer era esperar a hora do segundo talharim à bolonhesa"

- Luiz Alfredo Garcia-Roza, O SILÊNCIO DA CHUVA (Companhia das Letras)