May 20th, 2012

rosas

haywire 4*

A lista de actores é impressionante: Michael Douglas, Antonio Banderas, Michael Fassbender, Ewan McGregor, Bill Paxton, Channing Tatum. E uma única mulher, Gina Carano, que, as a matter of fact, nem é bem uma actriz, mas uma lutadora de MMA.

Penso que está dado o tom de Haywire, um filme de Steven Soderbergh (que também montou), e que é uma pequena jóia de acção concentrada e em estado puro. Soderbergh é, como se sabe, um realizador prolixo e que gosta de experimentar, não apenas géneros, mas inclusivamente universos cinematográficos diversos. E em todas essas abordagens, é sempre rigoroso, económico, e compulsivo.

O mesmo acontece neste Haywire, uma história de traição com ressonâncias políticas, mas que se esgota, num bom sentido, no exercício da acção. O enredo vai sendo revelado a conta-gotas, num feedback que é, ele próprio, uma sequência de acção. A encenação é meticulosa, a narrativa isenta de gangas ou gorduras, a tensão a de um elástico permanentemente esticado. O filme teria a ganhar se Gina Cancaro fosse mais actriz, mas percebe-se o fascínio do realizador para com aquele corpo que é uma arma de combate em constante estado de explosão.

Haywire não é um grande filme. Mas é mais uma obra consequente e eficaz de um dos melhores realizadores da actualidade, um homem sempre fascinado pelo cinema, pela sua linguagem, e que não tem receio de correr riscos.
rosas

fuga

Fui ontem ao Cae na Figueira da Foz ver Fuga, uma peça de teatro (de extracção espanhola, mais uma) encenada por Fernando Gomes, com o José Pedro Gomes, a Maria Rueff e o Jorge Mourato, entre outros. Espectáculo mediano, mas com alguns bons momentos de comédia, e que proporciona duas horas e picos de divertimento escorreito. O JPG é um belíssimo actor de comédia, e ontem tinha um registo que me fez lembrar muito o Raul Solnado. A Rueff tem um talento extraordinário a criar bonecos, mas numa peça como esta perde um bocadinho da força histriónica que a distingue.