May 17th, 2012

rosas

the history boys

The History Boys é uma peça de teatro da autoria de Alain Bennett, escritor e dramaturgo inglês que eu já conhecia de nome há muito tempo, e cuja obra tenho tentado conhecer nos últimos tempos. Já li dois livros seus, e agora tive oportunidade de ver a adaptação dessa peça que Nicholas Hytner fez para o cinema. Hytner foi o director da produção teatral da peça no Royal National Theatre, e o elenco do filme é precisamente o mesmo que estreou a produção no palco londrino.

Os rapazes da história (trocadilho intencional com o título do filme) são um grupo de alunos de uma escola inglesa privada, uma public school, exclusivamente masculina, que se preparam para os seus exames de acesso às grande universidades inglesas, nomeadamente ao Oxbridge. A orientação para os exames cabe a uma dupla de professores, de história e de conhecimento geral, que são apoiados por um outro professor mais jovem especialmente contratado para o efeito. O tom da narrativa repousa sobretudo na caracterização das personagens, quer dos alunos quer dos professores, mas também no relacionamento que se estabelece entre uns e outros, e, de forma particularmente acutilante, na análise do tipo de educação que as escolas devem providenciar aos estudantes: uma que alargue os horizontes e traga aos alunos o sabor da vida; ou uma educação que os prepare eficazmente para o sucesso nos estudos e nas futuras carreiras profissionais.

No entanto, o que dá um sabor especial ao filme é que tudo isto se passa num clima de uma certa subversão de costumes. Porque há professores que não se inibem de assumir perante os alunos as suas fraquezas e fragilidades, porque os alunos não se inibem de subir a parada dos jogos que estabelecem entre si e com os professores, e porque isto significa, não só mas também, que o sexo tem um papel a desempenhar.

O Alan Bennett é um escritor maravilhoso, que alia uma escrita elegante e rica, com uma visão muito particular que consegue ser, na mesma passada, muito formal e muito subversiva, insinuando o excesso e a transgressão de forma muito subtil. E se o enredo do filme, a sua realização e o trabalho dos actores seriam suficientes para o transformar numa obra muito recomendável, o que o torna excepcional é a linguagem, que é, ao fim e ao cabo, a verdadeira protagonista do filme. Um argumento cheio de referências literárias, com constantes envios para a cultura popular, nomeadamente para o teatro musicado, mas sobretudo um inglês belíssimo, muito poético e exaltante. De certo modo, a lição do filme é que não importa o que tu tens para dizer, desde que o digas bem!