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northsea texas
rosas
innersmile
Já conhecia o cinema de Bavo Defurne através de um dvd que comprei há uns anos atrás, através da Amazon, e que tinha creio que quatro curtas metragens, sendo que uma delas, Campfire, dava título ao conjunto. Filmes leves, com sentido de humor a servir de contra-ponto a um romantismo exacerbado, um olhar queer a insinuar-se homo-erótico, tudo isto servido com um apuro formal muito rigoroso e cromático.

Bavo evoluiu agora para a longa-metragem e realizou Northsea, Texas, uma comédia romântica, menos comédia e mais romântica, que salvaguarda o que era essencial e bom no seu cinema, nomeadamente o aprumo visual, e acrescenta-lhe arco e estofo narrativo. E este foi talvez o aspecto que mais me surpreendeu no filme, essa capacidade de segurar, e entregar, uma história, quando as curtas do realizador poderiam indicar alguma dificuldade narrativa em favor do excesso de formalismo e de intenção.

Além disso, o realizador ama as suas personagens e por isso elas parecem sempre envolvidas numa espécie de halo que as resgata de qualquer miséria, mesmo quando sofrem do mal de amar. Como nas curtas, Bavo ama a juventude como as setas amam o corpo incorrupto de São Sebastião, e isso dá tensão aos filmes e mesmo uma certa pulsão.

Claro que é pouquíssimo provável que o filme alguma vez chegue ao circuito comercial nacional (já me parece mais plausível que apareça nos circuitos dos festivais). A boa notícia é que é fácil passear pela internet e tropeçar em coisas boas.
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