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we need to talk about kevin 4*
rosas
innersmile
Fui ver We Need To Talk About Kevin, e, tirando o ligeiro incómodo de ser o único espectador na sala, achei o filme brutal. No sentido mais estrito da palavra, e também porque gostei imenso.

Trata-se de uma espécie de thriller que conta a história da relação entre uma mãe e um filho muito difícil, mas MUITO difícil mesmo. A história dos dois, e que conduziu a um final trágico (MUITO trágico) é contada através de sucessivos flashbacks, a partir de um ponto em que a personagem de Eva (o nome não é nada inocente, claro) vive na mais radical solidão (MUITO radical), e nós, os espectadores, como que somos não apenas as únicas testemunhas do seu drama, mas provavelmente os únicos que lhe podem oferecer alguma redenção. O efeito disto é o filme agarrar-nos pelos colarinhos e colar-nos sempre à personagem, vivendo a sua perturbação e a sua incomodidade. E o seu sofrimento.

Estou a ter muito cuidado para não contar muitos pormenores acerca da história, porque quanto menos se souber quando se vai para este filme, melhor. Mas é uma trama complexa, que não nos permite fazer escolhas simples, é impossível tomar posição. Por outro lado, há uma carga de crueldade tão grande, e que atinge todas as personagens, que nos faz sentir uma certa repulsa, mas também uma enorme compaixão, porque todos, ou pelo menos as duas personagens principais, são simultaneamente carrascos e vítimas, uma da outra, e delas próprias.

A Tilda Swinton, que também produz, é soberba, e poderíamos dizer que é o seu melhor papel, se não se desse o caso de a cada seu novo papel acharmos que é sempre o melhor de todos. Mas lá que é uma actriz fabulosa, isso é inegável. Agora, verdadeiramente surpreendente é o Ezra Miller, uma coisa arrepiante, e os putos que fazem a personagem de Kevin mais novo, também não ficam atrás.

Kudos para este filme, e para a realizadora Lynne Ramsay, que é importante seguir com atenção.
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