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perseguido
rosas
innersmile


Foi o Bruno que me ofereceu o livro quando cá esteve em Janeiro, e eu estou-lhe muito grato, pois adorei o Luiz Alfredo Garcia-Roza e fiquei com vontade de ler mais livros dele. Perseguido é um romance policial, e o protagonista é um delegado da polícia, Espinosa, um homem de meia-idade, sem grande vocação para herói. A trama gira em torno de um médico psiquiatra que descobre que um doente seu o anda a perseguir, estabelecendo contacto com a sua família.

O enredo está muito bem construído, e vai nos sendo servido devagar, uma peça de cada vez, de tal modo que nunca conseguimos ter uma imagem global muito nítida do que se está a passar. Esta é a técnica a que o autor recorre para montar o seu jogo de ilusões e enganos, ou pelo menos de incertezas e dúvidas. O livro está cheio de mind games, quer os que as personagens usam umas contra as outras, quer as que a narrativa usa para manter o leitor sempre agarrado mas sempre sem saber o que se está de facto a passar.

A contrastar com a complexidade da narrativa, a linguagem é muito simples e directa, o estilo é leve e eficiente, influenciado, acho eu, pela tradição anglo-saxónica, nomeadamente da literatura policial.

Outro aspecto delicioso do livro é a maneira como ele se inscreve na geografia do Rio de Janeiro, em particular nos bairros de Copacabana e Ipanema, onde praticamente decorre toda a acção. O livro passa-se muito nas ruas, nas praças, e o autor está sempre a situar-nos nos diversos pontos da cidade. O resultado, para além de um irresistível passeio pelas ruas do Rio, é dar muito ambiente à narrativa, tornando-a ao mesmo tempo muito verosímil.