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life
rosas
innersmile


Há uma crítica no New York Times (link) que realmente diz tudo o que há a dizer acerca de Life, a autobiografia que o Keith Richards escreveu, e que quando foi publicada, há uns dois anos, causou alguma polémica (polémica rock’n’roll, é claro) sobretudo por duas razões: por aparecer confirmada preto no branco, e contada pelo próprio, a vida de agarrado que sempre levou, e principalmente pelos mimos com que trata o seu companheiro Mick Jagger.

Nunca fui um fã die-hard dos Rolling Stones, mas é claro, é impossível um tipo ter a minha idade, viver no tempo do rock como eu tenho vivido, e passar ao lado dos Stones e de tudo o que eles significam para a música. E Life é tão bom, que é a (auto)biografia que gostaríamos que todos os nossos ídolos escrevessem.

Sai-se deste livro a gostar enormemente de Richards. Do seu humor, da sua candura (KR vive o cliché da rock star, mas também é capaz de olhar para ele com distância e até sarcasmo), da falta de papas na língua, mas também da bonomia com que ele trata (quase) toda a gente. Mesmo em relação a Jagger, se é verdade que é o principal alvo do veneno de Richards (juntamente com Anita, a primeira mulher de KR), também é evidente que é muito mais o que os une do que aquilo que os separa, e que a única forma de manter uma relação criativa, num meio tão desgastante e devorador como é o do show-bizz, durante mais de meio século, é ela ter na sua base aquilo que à falta de melhor podemos chamar de amizade e respeito.

Mais do que uma vida vivida em grande parte sob o domínio da dependência, e um estilo de vida selvagem e muitas vezes auto-destrutivo, o que verdadeiramente impressiona neste livro é o profundo amor de Keith Richards pela música, e pelos músicos. Life tem a mais valia de ser um contributo importante para a história do rock, nomeadamente em Inglaterra, mas é sobretudo o testemunho de alguém que gosta tanto de tocar e de fazer música. São muitos os músicos, dos mais conhecidos e influentes aos mais anónimos músicos de estúdio, que são mencionados nas páginas do livro, e não me lembro de nenhum para com quem Richards não tenha senão palavras de louvor e agradecimento. Mesmo quando está sentado na cadeira do topo do mundo do rock’n’roll e do show-bizz, Richards, quando toca com outros músicos, nunca é arrogante, antes pelo contrário, quando conhece e toca com os músicos que ele admira, nomeadamente com os ídolos da sua juventude, tem sempre uma posição de extrema humildade.

A entrega de Keith Richards à música não conhece limites nem preconceitos. O facto de ser autor ou co-autor de alguns dos maiores e mais populares e influentes hinos do rock, nunca o fazem esquecer as suas origens e a música que aprendeu com os seus familiares, na infância e na juventude vividas nos arredores de Londres. Só assim se compreende que, depois de ter conquistado o mundo com as suas canções, termine o livro a falar da malagueña, a canção com que aprendeu a tocar guitarra, com a mãe e o avô.



Para além do gozo da leitura, o livro do Keith Richards permitiu-me, com a ajuda do Zé Leitão, fazer uma fotografia toda catita.


crescente
rosas
innersmile
Duas semanas atrás, meti aqui um texto a deslumbrar-me com a conjugação celeste que nos permitia ver quatro planetas do sistema solar, tomando em linha de conta com aquele que está sob os nossos pés.

Pois bem, agora a Lua decidiu juntar-se á festa e, doida como é, foi-se meter praticamente entre Vénus e Júpiter: um quarto crescente muito elegante, que, com a ajuda de Vénus, desenha no céu do princípio da noite um crescente quase perfeito. Quem sabe numa evocação, que faz muito sentido, do passado muçulmano da península.

A não perder, pois, num céu nocturno perto de si.