March 19th, 2012

rosas

dia do pai

Hoje foi dia do pai. E eu a única coisa que consegui oferecer ao meu pai foi uma conversa de duas horas a que ele assistiu e que o deixou muito perturbado. É um daqueles casos em que eu espero que a demência dele se encarregue depressa de safar (era assim que dizíamos na escola primária há quarenta e tal anos, as borrachas serviam para 'safar' os erros) a ansiedade que foi patente durante todo o tempo. Ele, que normalmente se desinteressa das conversas e sai da sala para dar os seus passeios pela casa, hoje não saiu do sofá da sala, sempre ao meu lado. E no fim da conversa, quando voltámos a ficar sozinhos, ele tentou fazer perguntas para perceber melhor o que se estava a passar. É uma dor de alma, olhar para ele e perceber que ele sabe que se está a passar qualquer coisa de importante, que lhe diz respeito, mas já não tem capacidade de entender o que é. Depois, ao jantar, já estava mais calmo, mas a mim pareceu-me sempre que estava mais triste do que o habitual, ou então é o peso da dúvida e da responsabilidade a corroer-me o espírito. Acho, espero sinceramente, que aquilo que eu estou a fazer seja melhor para ele e para a minha mãe. Suponho que os filhos vivam sempre com o encargo de nunca desiludirem os pais (ou se calhar deveria ser ao contrário, não sei, não tenho filhos), de saberem que fizeram sempre o melhor por eles e para eles. Mas eu hoje no olhar baço e um pouco ausente do meu pai, percebi a dúvida em relação a mim, que nunca tinha percebido antes.

Feliz dia do pai, pai. Espero bem, por ti mas também por mim, que este tenha sido também um feliz dia do filho.