March 15th, 2012

rosas

across the universe

Há bocadinho, ao princípio da noite , quando fui nadar, passei pelo passadiço de madeira que liga o centro comercial ao complexo das piscinas, e reparei que ali mais ou menos por cima da Brotero conseguia ver dois planetas, Vénus, esplendoroso de brilho, e Júpiter, logo ao lado, mais pequeno porque mais distante. Do outro lado, mais elevado na abóbada celeste, o farol avermelhado de Marte.

Já no Sábado eu tinha reparado que eram visíveis os três planetas, mas não tinha a certeza de qual era o que se via mesmo ao lado de Vénus. Mas só há bocado é que tomei consciência desta circunstância rara de ter ali três planetas visíveis perfeitamente a olho nu, a partir do ponto onde eu estava num outro planeta, a nossa Terra, todos os quatro muito alinhadinhos.

Caramba, de repente parecia-me que estava transportado para os tempos antigos em que o homem estava muito mais ligado ao céu e aos astros. Senti-me antigo, mas também, de alguma maneira, perene, eterno. Há muitos séculos que há homens que se maravilham a olhar para esta constelação de planetas no céu da Terra. E se tudo correr bem, o mesmo acontecerá durante muitos mais séculos.

Incrível!, praticamente metade do sistema solar ali, ao alcance dos meus olhos. Uma sensação maravilhosa, de grandeza, mas ao mesmo de uma pequenez a raiar a insignificância.

Lembrei-me logo de vir aqui pôr a canção Across The Universe do The Beatles, que, é claro, passei a hora seguinte, enquanto nadei, a cantar mentalmente. Apesar de achar verdadeiramente irresistível uma versão live da canção com o Rufus Wainwright, o Moby e sobretudo o Sean Lennon que faz a ligação aos Beatles (link), opto antes por pôr uma outra versão que apenas conheci há muitos poucos dias, e a propósito de um acontecimento funesto, a morte de José Braga, um dos principais radialistas da RUC, a Rádio da Universidade de Coimbra, e grande educador do gosto musical de muitas pessoas e gerações. Os Laibach são um grupo esloveno, e eu acho esta versão lindíssima, sobretudo por causa da voz feminina principal e das harmonias vocais, que têm um lirismo deslumbrante.

Tão deslumbrante, quase, como olhar o céu e ver a dança dos planetas across the universe.



Words are flowing out like endless rain into a paper cup,
They slither while they pass they slip away across the universe
Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my opened mind,
Possessing and caressing me.

Jai guru deva, om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world.

Images of broken light which dance before me like a million eyes,
They call me on and on across the universe,
Thoughts meander like a restless wind inside a letter box
They tumble blindly as they make their way
Across the universe

Jai guru deva, om,
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world.

Sounds of laughter shades of life are ringing
Through my opened ears inciting and inviting me
Limitless undying Love which shines around me like a
million suns, and calls me on and on
Across the universe

Jai guru deva, om,
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world.
Nothing's gonna change my world.

Jai guru deva
Jai guru deva
Jai guru deva
Jai guru deva