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a leitora real
rosas
innersmile


Isto de ler livros pequeninos resulta num soma e segue. Três livros lidos em menos de uma semana, e já estou em mãos com mais um. Gosto de ler livros que demoram, que ficam connosco, mas estas leituras mais breves são boas para variar e descansar. Este A Leitora Real comecei na segunda à noite e terminei ontem antes de ir nadar. São poucas páginas e lêem-se muito bem, trata-se de uma história bem-humorada, e escrita com aquele wit que os escritores de humor ingleses têm.

Na realidade, e por diversas razões, há muito tempo que tinha vontade de experimentar a leitura do Alan Bennett, que deve ser um dos escritores mais consagrados neste momento em Inglaterra, e acumula a escrita literária com a escrita para teatro e televisão. Fiquei com vontade de experimentar mais, sobretudo a sua obra auto-biográfica.

A Leitora Real a que se refere o título do livro é, naturalmente, a rainha Isabel II que um dia, por mero acaso, descobre uma biblioteca móvel num dos pátios do palácio. Por educação requisita um livro, e torna-se uma leitora ávida. Os livros acabam por ter uma influência desastrosa numa pessoa que sempre foi muito estruturada e que nunca pôs nada em causa.

Para além do divertimento, A Leitora Real é sobretudo um elogio da literatura e do seu enorme poder, nomeadamente subversivo. Escrito com muito humor e subtileza, não deixa de ter também um lado de farsa da vida política inglesa e da sua monarquia. E apesar de ser uma obra inteiramente ficcional, como é evidente, não deixa de nos provocar uma enorme simpatia para com a figura da rainha de Inglaterra.