February 29th, 2012

rosas

o hussardo



Li num instantinho O Hussardo, de Arturo Pérez-Reverte, o que faz todo o sentido, não tanto porque a brevidade do livro o permite, mas sobretudo porque a sua estrutura assim o reclama. Ao longo de cerca de centena e meia de páginas, acompanhamos um dia na via de um jovem alferes hussardo, integrado na campanha de Napoleão em Espanha. Mas não é um dia qualquer: é o dia do seu baptismo de batalha, aquele em que, pela primeira vez, Frederic vai provar a glória que o levou a alistar-se no exército imperial.

Mas ainda a batalha não começou, e o jovem hussardo já começa a ver as coisas com outro olhar. Vê, primeiro, o absurdo da guerra, mas não tarda muito vai provar o amarguíssimo cálice do seu horror. Em poucas páginas, Pérez-Reverte descreve uma descida aos infernos, e chegamos a sentir remorso, e até alguma saudade, do jovem alferes que amanheceu, belo, confiante e resplandecente, ansioso pela seu primeiro dia de batalha.

Trata-se da primeira obra do autor, publicada em princípios dos anos oitenta, e que Pérez-Reverte recuperou para edição posterior. O que é notável é que o escritor que aqui nos aparece é-o já por inteiro, com o domínio da linguagem e da narrativa a que nos acostumou, com a riqueza da reconstituição histórica que nunca é gratuita, mas que obedece sempre, simultaneamente, a um princípio de prazer e a uma regra de economia da escrita.