February 26th, 2012

rosas

war horse 4*+ the artist 3*

Ui, o que eu já chorei ontem. Ah, pois! Fui ver o War Horse, do Steven Spielberg, e adorei. É (quase) sempre o meu Spielberg favorito, aquele que está ali entre o épico e o filme de aventuras, mas sempre com um pé no melodrama. Spielberg tenta filmar esta história de amizade entre um rapaz e o seu cavalo (uma relação bestial, portanto) com um olhar carregado de classicismo, em que o fôlego e a ambição vêm sempre mais do modo como a história é contada, do que da história propriamente dita. Nem sempre o resultado tem a perfeição de uma fita de John Ford ou de David Lean, é certo, mas também é verdade que já nem o nosso olhar é o mesmo. Só mais dois apontamentos. Um para o score do John Williams, que vale metade da aventura. O outro para a presença sempre tão rara do Peter Mullan, um actor com uma expressividade tão grande que quase não precisa de falar para entregar o seu papel.

Quem também não precisa de falar, é claro, são os actores do The Artist. Fui ver o filme hoje, a tempo dos Oscars de logo à noite, e um pouco convencido pela crónica do Miguel Esteves Cardoso no Público. E admito que não estava à espera de tanto. Digamos que não é propriamente um filme que investe na eficácia da narrativa, mas aguenta-se muito bem na maneira como cumpre o seu programa. E a homenagem ao cinema, homenagem à matéria de que o cinema é feito, note-se, é tão bela e comovente, que nos carrega ao longo de todo o visionamento. Coisas de que eu gostei muito: do actor Jean Dujardin, que consegue a proeza de fazer um actor dos anos 20 do século passado sem nunca nos fazer esquecer de que é um actor do cinema de hoje. Também gostei muito de que a redenção final tenha sido graças ao musical, acho uma homenagem lindíssima a esse género que hoje é tão desprezado e mal-tratado.

Agora, fui só eu que reparei que o filme tem fortes ligações, ou pelo menos fortes remissões, para Singing In The Rain, ou já toda a gente tinha falado nisso e eu é que não dei por ela? A começar pelo tema da dificuldade da passagem do mudo para o sonoro, passando pelo Jean Dujardin que parece um Gene Kelly mais sedutor mas pior bailarino, e a acabar na homenagem ao musical e no seu poder redentor.