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mess
rosas
innersmile
Há uma série de noites que ando a dormir muito mal. Parece um relógio: às três da manhã acordo, e daí em diante, ou não durmo mais, ou tenho sonos muito curtos e sempre cheios de sonhos muito complicados, ansiosos e perturbadores. Não sei se é de andar adoentado, se é dos medicamentos que estou a tomar, nomeadamente do anti-histamínico, se será apenas ansiedade e um certo mal-estar com a minha vida neste momento, ou, a possibilidade mais improvável mas a que mais me assusta, o primeiro sinal de que há qualquer coisa de sério a acontecer no meu corpo.

Esta noite que passou as coisas atingiram um nível que me deixou muito perturbado. Acordei às quatro e vinte da manhã (deitei-me uma hora mais tarde do que é habitual, de modo que bateu nas três horas de sono habituais), com um pesadelo horrível, no qual às tantas desatei a gritar e acordei com o som de um berro mais alto que dei. Naqueles primeiros milésimos de segundos depois de acordar, pensei que me devia levantar para ir chamar a minha mãe, ou então esperar, pois ela deveria ter-me ouvido gritar e não tardaria a surgir à porta do quarto. Só uns segundos depois é que tomei consciência de que estava em minha casa. Levantei-me, muito assustado, e com medo das sombras, fui à cozinha beber água e deitei-me a ler.

Acabei por tornar a adormecer, sempre com sonos muito curtos. Acordei de novo por volta das sete, de novo no meio de mais um sonho muito complicado, cheio de pessoas e peripécias, não exactamente um pesadelo, mas sonhos em que passo sempre por situações de ansiedade. Outra coisa bastante estranha foi que, antes deste sonho e depois dele, até acordar definitivamente por volta das nove, começava a sonhar quando ainda estava acordado, a ter assim uma espécie de alucinações, impressões muito físicas, como uns arrepios de energia a varrerem-me o corpo. Acordei muito mal disposto, com dor de cabeça, e sobretudo angustiado, coisa que nem este sol bonito que está ainda conseguiu espantar.

Claro que já tinha passado por ocasiões de sono mais perturbado, e são relativamente frequentes as insónias matinais: adormeço com facilidade, durmo bem, mas acordo cedíssimo, e não consigo voltar a conciliar o sono. Mas nunca me tinha acontecido isto que anda a suceder há tantos dias seguidos, e estou a ficar um bocado preocupado. E, depois, quando me deito, já vou receoso de como vai correr a noite, o que também não ajuda nada.

por pudor e insegurança
rosas
innersmile


«Havia nele uma grande mistura de modéstia e orgulho. Não lhe interessava a glória fácil, mas tinha aquela verrina desencantada dos que sabem que são melhores do que a maioria mas não se querem mostrar, por pudor e insegurança. Por vezes tinha mesmo, como se costuma dizer, mau feitio. 'O meu pai era encantador para as velhotas e depois, de vez em quando, tinha uns ataques de fúria em que parecia que o mundo estava contra ele', conta Catarina. Aliás, uma característica bem visível numa das suas últimas entrevistas, dada ao programa da RTP2 Zero de Audiência, em que cruza os momentos de bonomia com algumas tiradas de sarcasmo, tão próprias da sua personalidade e da falta de paciência que foi manifestando, sobretudo nos últimos anos de vida, quando já não fumava e havia sido operado. O editor galego Anton Mascato apanhou-o bem numa frase: 'Era uma grande ternura disfarçado de pessoa contraída'.»

- Nuno Costa Santos, TRABALHOS E PAIXÕES DE FERNANDO ASSIS PACHECO (Tinta da China)