February 23rd, 2012

rosas

construção

“Morreu na contramão atrapalhando o sábado”, cantava o Chico Buarque na Construção, há mais de quarenta anos.

A notícia chegou agora aos jornais mas a história passou-se já em Novembro. Em Bruxelas, esse centro iluminado da civilização eurocrata, um emigrante português de quarenta e nove anos de idade, desempregado da construção civil, fazia biscates para ganhar uns dinheiros não-declarados.

Uma manhã, “subiu a construção como se fosse máquina”, teve um ataque cardíaco e despenhou-se do andaime, “flutuou no ar como se fosse um pássaro e se acabou no chão feito um pacote flácido”. Como estava a trabalhar ilegalmente na obra, o patrão pegou nele, meteu-o num camião, e abandonou-o, ainda com vida, numa rua obscura de um parque da cidade.

Era um sábado, e as autoridades, alertadas por um transeunte, estranharam o facto de o homem estar em roupas de trabalho.

Chamava-se António.