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um passo atrás
rosas
innersmile


Faltam-me poucas dezenas de páginas para terminar a leitura de mais um policial de Henning Mankell, Um Passo Atrás, mais uma investigação do comissário Kurt Wallander, tendo por cenário o sul da Suécia e a cidade de Ystad em particular.

Há duas razões principais para eu gostar tanto dos livros de Mankell. A primeira é Wallander, na minha opinião o melhor herói de literatura policial que conheço (e não estou a esquecer de nenhum dos clássicos). A outra razão é a eficácia da narrativa de Mankell, que, mais do que nos contar um enredo mais ou menos elaborado (e são sempre, os seus), nos envolve no texto, na atmosfera dos acontecimentos, vivemos e partilhamos os pensamentos e as emoções de Kurt.

Eu não um tipo muito sugestionável, então em relação aos filmes, é muito raro o visionamente de um filme ter o efeito de me perturbar. Mas com a leitura já acontece mais vezes, embora não seja muito frequente. Este livro do Mankell é tão eficaz que me provoca uma verdadeira sensação de mal-estar, e uma das coisas que notei é que tenho dormido pior nestas noites em que o estou a ler. E depois como a leitura é muito compulsiva, passo os serões a ler e leio mesmo quase até cair a dormir. Depois acordo de madrugada com sonhos muito vivos e perturbardores.

Ou seja, e por paradoxal que isso pareça, é mais um livro extraordinário, um dos melhores que eu li do autor. Como disse faltam-me poucas dezenas de páginas para terminar, e apesar de já estar desenhado o perfil do assassino (oito mortes até agora, and counting...) ainda há muitas dúvidas, e há sobretudo uma presença muito irracional do mal, que nos choca a nós leitores (porque sim, e também porque não conseguimos perceber, e nessa medida aceitar, o que se está a passar), e que nos provoca a tal sensação de mal-estar.