February 13th, 2012

rosas

the iron lady 4*

Logo no dia da estreia, fui ver o The Iron Lady. Primeiro, porque a Thatcher é uma das minhas referências, não propriamente porque a admire muito, antes pelo contrário, mas porque é indubitavelmente uma das figuras icónicas do mundo em que me tornei adulto. Além disso, muita da minha vivência londrina decorreu nos anos Thatcher, e sempre tive opiniões muito assertivas a seu respeito.

A outra razão para ir a correr ver o filme foi, como é óbvio, a curiosidade em ver o trabalho da Meryl Streep, que está absolutamente soberbo. É difícil dizer que é o seu melhor trabalho, numa carreira cheia de brilho e grandeza. Mas raramente como aqui, e com a dificuldade acrescida de estar a trabalhar com alguém cuja figura pública, cuja imagem, está muito presente e é muito forte, raramente como aqui, dizia, a MS consegue apagar-se totalmente enquanto actriz para tornar a sua personagem verosímil. Não estamos, convém que se note, no terreno da imitação, MS não faz uma imitação perfeita de MT. O que a MS faz é pegar nos traços da MT, nos gestos, na voz, no olhar, na postura, e com isso criar uma personagem que nós acreditamos ser a Thatcher. Ou seja, criar uma personagem com alma, com drive, com sentido, com, para usar uma palavra cara à Thatcher, destino.

E há filme para além do trabalho da MS? Há sim, se bem que não seja inteiramente conseguido. Mais uma vez o desafio era grande: criar uma narrativa cujo motor dramático seja uma personalidade, ou a crença de uma pessoa nas suas próprias capacidade ou no seu próprio destino (lá está). Demasiadas vezes o filme se socorre do estilo de documentário televisivo, tipo biography channel, o que não faz propriamente milagres pela sua capacidade de tocar o espectador e o fazer aderir à história. Além disso o filme hesita muito em relação ao retrato da própria Thatcher que quer construir. É, apesar de tudo, um juízo simpático, ou pelo menos compreensivo, o que o filme faz em relação ao governo de MT. Mas, faço-lhe eu a justiça de admitir que essa simpatia é sempre mais dirigida ao carácter da personagem do que propriamente à sua fundamentação política.

Só mais duas notinhas finais. A primeira para dizer que a realizadora deste filme, a Phyllida Lloyd, já tinha dirigido a Meryl Streep na adaptação do musical Mamma Mia! A segunda é para dizer que achei curiosa a ausência da rainha de Inglaterra deste filme.