?

Log in

No account? Create an account

j.edgar 3*
rosas
innersmile
Pela terceira vez consecutiva, depois de Invictus e de Hereafter, a primeira impressão é a de estranheza pela escolha de Clint Eastwood dos temas para os seus filmes. E nos três casos, com resultados menos conseguidos, a fazer ter saudades de Gran Torino, aquele que foi, até agora, a sua última obra-prima.

Agora foi J. Edgar, uma espécie de biopic sobre a figura de J. Edgar Hoover, o homem que construiu e foi director do FBI durante boa parte do século XX. De certo modo percebe-se o que interessa ao filme de Eastwood: J. Edgar torna-se um dos homens mais poderosos da América, perseguindo uma agenda securitária e conservadora, tão eficaz quanto sombria, ao mesmo tempo que vive um inferno pessoal feito de um claro desajustamento entre a sua personalidade e a persona pública que construiu.

Mas há coisas que são difíceis de digerir e que perturbam o visionamento do filme. Uma delas é a relação com a mãe, sempre demasiado caricatural, mesmo grosseira, que nunca passa do psicologismo mais elementar. Outra são as pesadas máscaras de envelhecimento dos actores, que impedem o espectador de aderir à verdade dos personagens.

Claro que um filme de Eastwood é sempre um exercício de virtuosismo, e não faltam pontos positivos a J. Edgar. Por exemplo, a relação entre Hoover e Clyde é sempre gerida com a subtileza que falta à personagem maternal. A fotografia, a mise-en-scéne, a música, a capacidade de revelar sem mostrar, o horror a uma narrativa muito explicada, tudo isso são as marcas de um grande autor e que estão presentes.
Tags: