February 5th, 2012

rosas

the eagle



"[Most particularly there was] a tattoed boy, a sailor - ears pierced for rings - his small hard body lay on the bed in the dusky near-dark, the dragon curling upon his belly, the mermaid long on his thigh, the eagle wings touching the collar bone on each side, the nippled eyes staring unwinking through the gloom. In a kind of ecstasy of disbelief at what I saw, almost afraid to touch this designs, I at last ran my tongue along the lenght of the great dragon, beginning low at his tail almost within the bramble patch of pubic hair, and running in bending up-curves towards his right nipple, I sucked the unwinking eyes drawn upon the nipples, and licked the two sharks above his armpits, and then I pointed the arrowhead (on the head of his cock) straight down my throat until he came... and then relaxed, but pleasantly co-operative, he lay on his side and took hold of my cock and gently masturbated me, while my fascinated fingers, hypnotized, fled back and forth over the eagle’s wings, the dragon’s head on his chest and belly. Here, at long last, was the essence of the Sailor, his motions sure and deft. Here was the hand that had knotted the rope and sliced it, the Sailor who knew the far suns and seas, the bamboo huts of savages and the stone lacework of Indian castles, crystal pools and sand of Persia, white columns against dark blue Greek skies, the golden suns and fountains of red-walled Rome. Here was the distillate of the Sailor - dark, romantic, strange, bizarre and sexual under his tattoos, his muscles working to bring me pleasure, his body close curving..."

- Samuel M. Steward, in Justin Spring, SECRET HISTORIAN, THE LIFE AND TIMES OF SAMUEL STEWARD (FSG)


Este trecho admirável de uma carta escrita pelo Samuel Steward ao fotógrafo George Platt Lynes, em Maio de 1954, é a prova de que a literatura erótica (ou pornográfica, dá igual) pode ser isso mesmo, literatura, de que é possível escrever bem sobre sexo. É também a prova de que vinte anos antes de Stonewall nem todos os homossexuais sucumbiam à invisibilidade e ao silêncio do medo e das trevas.
rosas

comme ils disent

Na edição de hoje, a número 50, do programa de rádio da Antena 1 A Cena do Ódio, o tema foi a homossexualidade. Gostei da selecção. Nalguns casos muito óbvia (muito disco, por exemplo), mas também cheia de incontornáveis. Ouvi dois ou três temas que não conhecia, e ouvi com uma perspectiva diferente temas que conheço muito bem e desde há muitos anos. Houve um caso que me surpreendeu inteiramente: nunca tinha ouvido a canção da perspectiva da homossexualidade, e embora não seja óbvio que o tema seja esse, a verdade é que cabe muito bem na letra. Falo do tema de 1972 de Paul Simon (do álbum homónimo), Me And Julio Down By The Schoolyard.

Passei o programa todo à espera de determinados temas que não apareceram, sendo um dos mais evidentes a Lavender Song, de Polianski, de que a Ute Lemper tem uma versão em inglês (pode ser ouvida no YouTube, e já agora fui eu que a pus online: link). A propósito do disco sound, fiquei igualmente à espera do Sylvester, que também não compareceu. Mas a boa notícia é que os autores do programa anunciaram uma segunda edição com o mesmo tema para o programa de hoje a quinze dias. A não perder, portanto.

Aqui fica o alinhamento do programa de hoje, que dava para fazer uma bela de uma playlist (só para ter ideias...). Admito que possa ter algum erro, uma vez que fui eu, armado de ouvido atento e de google em punho, que a fiz.

Mahler, 5ª (tema do filme Morte em Veneza)
Charles Aznavour, Comme Ils Disent.
Rod Stewart, The Killing of Georgie
Lucille Bogan, Black Angel Blues
Maurice Chevalier, C’Etait Une Fille
The Kinks, Lola
Paul Simon, Me and Julio Down By The Schoolyard
David Bowie, Queen Bitch
Gloria Gaynor, I Will Survive
Donna Summer, I Feel Love
The Sisters Sledge, We Are Family
The Weather Girls, It’s Raining Men
Diana Ross, I’m Coming Up
The Village People, In The Navy
The Village People, YMCA
The Village People, Macho Man
Peter Allen, Bi Coastal
Carl Bean, I’m Happy, I’m Carefree, I’m Gay and I Was Born This Way
Frankie Goes To Hollywood, Relax
Tom Robinson, Sing If You Glad To Be Gay
Joe Jackson, Real Men
Rufus Wainright, Rebel Prince
Maria Bethania, Minha Namorada

Claro que para ilustrar esta playlist tinha de pôr a canção do Paul Simon, uma canção que eu já adorava (também não é difícil, tratando-se do Paul Simon), mas que agora não consigo deixar de ouvir com um bocadinho mais de interesse. E, já agora, o programa tem uma página na net com os postcasts da emissões (link).



The mama pajama rolled out of bed
And she ran to the police station
When the papa found out he began to shout
And he started the investigation

It's against the law
It was against the law
What the mama saw
It was against the law

The mama looked down and spit on the ground
Every time my name gets mentioned
The papa said oy if I get that boy
I'm gonna stick him in the house of detention

Well I'm on my way
I don't know where I'm going
I'm on my way I'm taking my time
But I don't know where
Goodbye to Rosie the queen of Corona
Seeing me and Julio
Down by the schoolyard
See you, me and Julio
Down by the schoolyard

In a couple of days they come and
Take me away
But the press let the story leak
And when the radical priest
Come to get me released
We was all on the cover of Newsweek

And I'm on my way
I don't know where I'm going
I'm on my way I'm taking my time
But I don't know where
Goodbye to Rosie the queen of Corona
See you, me and Julio
Down by the schoolyard
See you, me and Julio
Down by the schoolyard
See you, me and Julio
Down by the schoolyard