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rosas
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Voltei hoje ao trabalho depois de uns dias de férias. Foram quatro dias muito bons, em que parece que estive fora da minha vida, dos meus problemas, dos meus compromissos. Normalmente estes períodos de fuga acontecem nas férias quando saio de casa, quando viajo para longe ou pelo menos quando vou passar uns dias fora. Mas desta vez foi diferente.

O Bruno, um amigo que conheci aqui no innersmile, veio-me visitar. Fez o favor de interromper os compromissos que o obrigam a atravessar o globo, apenas para vir a Coimbra visitar-me, e para nos conhecermos pessoalmente, depois de muito convívio e de muitos intercâmbios através da internet.

Com a companhia do Bruno, saí, fui ao Minho, conhecer um lugar belíssimo, tranquilo como um sonho do passado, Linhares, mesmo lá em cima, e Ponte de Lima, uma cidade que achei muito bonita, uma jóia bem cuidada de história e arquitectura. Almoçámos numa taberna, o Porão Limiano, na Rua do Souto, se não estou em erro, que, apesar da hora tardia, abriu a cozinha para nos dar de comer. E de beber, claro, aquele verde tinto que pinta a louça da malga. A disponibilidade, a simpatia, fazem-me recomendar a melhor taberna de Ponte de Lima, e ter vontade de regressar.

Mas a companhia do Bruno fez-me voltar a passear por Coimbra. Há muito tempo, meses, anos, que eu não passeava na Alta, sinceramente não me lembro da última vez que tinha descido o Quebra-Costas, que tinha atravessado a baixinha, pela Rua dos Sapateiros. E como eu sou sempre muito sisudo e reservado, só pode ter sido por causa da simpatia do Bruno que toda a gente me pareceu igualmente simpática e atenciosa.

Como sou um péssimo anfitrião, abandonei o Bruno na visita à Universidade (faz-me prurido, não sei), mas já não prescindi de uma ida a Conímbriga e da visita ao Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha. Em Conímbriga, depois de uma tarde inteira de passeio sob um glorioso sol romano, com paragem em todas as termas (agora chamam-se saunas...), um descanso à sombra da cisterna, e poses fotográficas na imponente casa de Cantaber, fomos, já de saída, abordados pelo senhor Manuel que nos ensinou tudo o que há para saber acerca dos peristilos e do ímpeto dos jovens romanos. O Bruno, que é um académico, logo lançou os fundamentos para uma dissertação sobre "Os peristilos de Conímbriga: uma visão teo-filosófica sobre a influência grega no ímpeto dos jovens romanos à época do século I".

Já em Santa-Clara-a-Velha, o jovem guia que nos acompanhou na visita mostrou o túmulo nunca aberto de Dona Isabel Coutinho anunciando, com tom de indisfarçável orgulho, que "está connosco há quatrocentos anos". Acrescentando, breve e certeiro, "em apneia"!