January 24th, 2012

rosas

domingo

Para além da experiência das Bacantes, a ida a Lisboa, no Domingo, valeu também por mais do que isso. Primeiro, há muito tempo que eu não ia de carro até ao centro de Lisboa, e gostei de fazer um percurso que durante muitos anos me era habitual e frequente: subir do Marquês até ao largo de São Mamede, passar ao Príncipe Real, descer a D. Pedro V e a Rua da Misericórdia até ao Chiado. Em 1990 fazia este percurso num eléctrico que se apanhava na Alexandre Herculano. Depois, durante muitos anos, era o eixo das minhas capelinhas, desde o Teatro do Bairro Alto, passando pelos bares e pelas lojas do Príncipe Real e do Bairro Alto, e a acabar no mundo que era e continua a ser o Chiado.

Estacionei o carro na rua do São Luiz, um bocadinho mais à frente do teatro, e, como tinha um tempinho, fui para a Fnac coscuvilhar. Que tristeza, a Fnac, como livraria, está cada vez pior, tornou-se definitivamente uma loja de electrodomésticos, uma Rádio Popular para as mais cultas. Consegui estar quase uma hora lá dentro e não comprar nada, sobretudo porque não me dava jeito passar o resto do dia a carregar um plasma de 127 centímetros.

Depois de me encontrar com o meu amigo João, responsável por esta minha ida a Lisboa, descemos a Rua do Carmo, cruzámos na diagonal o Rossio, o Largo de São Domingos, até ao Martim Moniz. Estava um dia glorioso, de sol, daqueles que tornam Lisboa uma cidade única. Não havia muitas pessoas na rua, e as que havia eram aquelas que não estão comodamente enfiadas no fim de semana das suas vidas. Entrámos depois na Mouraria, uma zona da cidade que eu conheço muito mal, e por isso o passeio foi ainda mais interessante. Subimos a Rua dos Cavaleiros (só o nome já é evocativo o bastante), e depois a Calçada de Santo André, até à casa do Francisco (que foi generoso a receber-nos e a dar-nos almoço). A sala da casa, que é apenas a parte mais bonita de um apartamento todo ele adorável, é inebriante, de luz e de vistas.

Ponho aqui duas fotos: a primeira é da placa toponímica de um beco transversal à Calçada de Santo André. Claro que, antes de mim, já muitos se devem ter embasbacado a olhar para a placa, mas deixá-lo, é um dos nomes fascinantes em que Lisboa é pródiga (estou-me a lembrar, noutra zona da cidade, da Travessa da Memória). A outra fotografia é um bird’s view da varanda da casa lá para baixo, para a calçada, que o eléctrico vem a subir.