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vozes de burro?
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Segundo ouvi hoje de manhã no noticiário da rádio, a antiga líder do PSD e ministra de Cavaco e de Barroso, Manuela Ferreira Leite terá afirmado, num debate da Sic Notícias ontem à noite, que os doentes em tratamentos de hemodiálise com mais de 70 anos deveriam pagar os seus tratamentos. A Manuela Ferreira Leite não deve saber estas duas coisas muito simples: o custo dos tratamentos de hemodiálise é incomportável mesmo para quem tenha muito dinheiro (porque é muito elevado e porque os doentes têm de os fazer várias vezes por semana), e quem sofre de insuficiência renal e não faz hemodiálise, morre. A esta luz, o que a Manuela Ferreira Leite disse, caso seja verdadeira a notícia, é uma enormidade de natureza criminosa.

O que é grave nem é tanto ela tê-lo dito, doidos há muitos, e imbecis ainda mais. O que é grave é que a Manuela Ferreira Leite já teve elevadíssimas responsabilidades políticas, já foi ministra mais do que uma vez, e até almejou, ou alguém almejou por ela, ao cargo de primeira-ministra, e passa por ser uma voz respeitada que deve ser ouvida com atenção! Já aqui há uns tempos largos, tinha dito que suspendia a democracia por seis meses para pôr as contas do país em ordem. Mas isto não passou de uma boutade, ou no pior dos casos de uma gaffe. Agora dizer que milhares e milhares de doentes renais deveriam pura e simplesmente ver negados pelo Serviço Nacional de saúde os seus tratamentos de hemodiálise é inconcebível. Se o disse porque o pensa, e como não há delito de opinião para poder ser julgada, deveria ser proscrita do espaço público mediático onde frequentemente perora. Se o disse porque não sabe o que diz, deveria ser internada. A expensas próprias, claro.

E já que estou com a mão na massa dos ilustres antigos ministros do Cavaco, o Eduardo Catroga terá afirmado, a propósito do vencimento milionário que vai auferir na EDP, que metade do que ganha vai para impostos, e por isso quanto mais recebe mais paga, contribuindo assim para a redistribuição da riqueza. Formidável argumentação. Eu ofereço-me já, em nome da justiça distributiva, e mesmo não sabendo exactamente quanto é que ele vai ganhar, para fazer o sacrifício patriótico de receber um ordenado igual ao do Catroga dos pentelhos.
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