January 1st, 2012

rosas

carnage 4*

Gosto muito de ir ao cinema no primeiro dia do ano, sobretudo àquelas primeiras sessões da tarde, quando a maioria das pessoas ainda estão a acordar da ressaca do reveillon, e o centro comercial só tem aberta uma passagem estreita entre o parque de estacionamento e a bilheteira. Além disso, acho que se fosse confrontar os primeiros textos aqui publicados em cada ano, a maior parte deles seriam sobre cinema. Enfim, os encantos de quem não tem vida própria e tem de se contentar em viver as vidas dos outros no grande ecrã.

E que vidas! Carnage, ou O Deus da Carnificina, pode não ser um grande filme, mas constitui a prova de que o Roman Polanski continua em grande forma e a filmar de maneira sumptuosa. Adaptado de uma peça de teatro da autoria de Yasmina Reza, o filme parece ficar confinado à sua origem cénica, mas é puro engano. Passado quase integralmente na mesma sala de estar, Polanski não encena, mas filma verdadeiramente, e dirige os seus actores sempre em função do olhar da câmara, de tal forma que são as imagens, e o jogo dos actores, que contam a verdadeira história do filme, aquela que se esconde, tanto quanto se revela, nos diálogos do argumento.

Claro que ajuda contar com um quarteto de actores fabuloso: Jodie Foster, sempre a segurar no limite o pior da sua personagem, Kate Winslet, num registo a que poderíamos chamar de exuberante contenção, John C. Riley, que ao contrário da Foster, está sempre a mostrar que a sua personagem não é o que aparenta, e o extraordinário Christoph Waltz, que, mercê do seu desempenho, é o verdadeiro dínamo que incendeia esta farsa. Também ajuda, e muito, a música do Alexandre Desplat e a fotografia de Pawel Edelman.