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innersmile

















Parque Eólico da Lousã, véspera de natal.
As fotografia não conseguem captar o som das pás a rasgarem o ar. É a parte em que entra a imaginação de quem as olha.
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mais wilder. autobiografia de NC
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Mais três filmes de mestre Billy Wilder que as renas me puseram no sapatinho. The Private Life of Sherlock Holmes, de 1970, é dos mais fraquinhos do realizador. Uma tentativa, acho que falhada, de apimentar a vida do famoso detective criado por Conan Doyle, mas que morre um bocado entre um retrato de Holmes sempre a deslizar para a caricatura, e um argumento feito de vários pedaços e não de uma boa ideia. Salvam-se algumas piadas e a utilização que Wilder faz da ambiguidade sexual da relação entre Holmes e Watson.

Avanti! (1972) é uma deliciosa comédia à italiana, de novo com Jack Lemmon no protagonista. O tom do filme vai variando entre a comédia romântica (mas tratando-se de Wilder, a componente romântica é sempre a descair para o desbragado) e a comédia negra, com defuntos roubados e importação de caixões. O momento queer aparece logo no princípio, quando Lemmon se mete na casa de banho de um avião juntamente com um companheiro de viagem que acaba de conhecer e a quem faz uma proposta ao ouvido. Se acabam por se juntar ao Mile High Club ou não, só mesmo vendo o filme. Avanti! é um bom exemplo de como Wilder aproveitava cada filme para alargar um bocadinho as fronteiras daquilo que se podia dizer e mostrar no cinema.

One, Two, Three é uma comédia de 1961, filmada em Berlim enquanto os alemães de leste construíam o muro, e que caricatura a guerra fria, tanto do lado dos americanos como dos comunistas. É uma pequena obra-prima de humor, e da escrita de comédia de Wilder e do seu co-argumentista de sempre, I.A.L. Diamond. O filme é verdadeiramente endiabrado, as piadas sucedem-se a um ritmo louco, o caminho é do caos completo, e James Cagney tem um dos mais brilhantes desempenhos que eu já vi, um verdadeiro maquinista louco e inspirado, genial e hiper-cinético, ao comando de uma locomotiva que parece que só vai parar quando explodir (de riso, é claro). Tenho de arranjar o argumento deste filme, e se o conseguir não sei se resistirei à tentação de o transcrever TODO para aqui.



Entretanto passaram hoje, precisamente no dia de Natal, 22 anos desde que Nicolae Ceasescu e a sua mulher Elena foram executados num dos casos mais dramáticos do desabar dos regimes totalitários da cortina de ferro. A melhor ocasião, portanto, para ver (ou para acabar de ver, pois já tinha começado a ver há dias) A Autobiografia de Nicolae Ceausescu, o filme que Andrei Ujica, uma montagem monumental que o realizador fez de milhares e milhares de metros de filmagens de propaganda que Ceausescu mandava fazer para edificação da revolução e, é claro, glória própria.

Sem voz off, sem legendas a enquadrar, sem outras referências que não as que resultem das próprias imagens, o filme consegue o prodígio de ser ao mesmo tempo um documentário factual e cronológico dos anos do ditador, e um subtilíssimo comentário, não apenas político, mas sobretudo humano, por nos fazer interrogar sobre as enormes contradições sociais, individuais ou psicológicas, que permitem vidas assim, a do próprio mas sobretudo as das milhares de pessoas que vivem sob o seu jugo.

A única dúvida que o filme me suscita é a de saber se a sua eficácia depende em absoluto de cada espectador o ver com a informação que ele próprio carreia para o visionamento, ou se o filme se mantém poderoso mesmo para um espectador que lhe chegue sem qualquer informação prévia sobre Ceausescu, em particular, mas também sobre o que foram os regimes comunistas que marcaram a história do mundo, mas sobretudo da Europa, nas décadas entre o final da II Grande Guerra e os anos 80/90 do século XX.


Claro que aparentemente o filme de Ujica está o mais afastado possível da demência de Billy Wilder. Mas há um fotograma do filme que merecia aparecer em qualquer das comédias sexuais de Wilder. Só para enquadrar, a sequência de que a imagem faz parte, cobre a visita de Ceausescu a Inglaterra, onde foi recebido com 'full regalia', incluindo um passeio pelas ruas de Londres no coche real na companhia da Rainha de Inglaterra.



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