December 22nd, 2011

brooklyn

the empty family



Parece que a cada novo livro do Colm Tóibín gosto mais da sua escrita. Ou então é isso que acontece quando um autor passa a ser ‘nosso’: cada reencontro parece ser sempre mais feliz do que o anterior.

The Empy Family é uma colecção de nove contos, todos à volta dos temas da solidão e do isolamento, do desejo e da perda, em situações, tempos e contextos muito diversos entre si. Três ou quatro destas histórias são obras-primas, quer do ponto de vista da sua construção narrativa, quer da escrita, perfeita como uma escultura.

A última história do livro, The Street, quer pela sua extensão quer pela complexidade da narrativa, é menos um conto do que uma novela. Passado em Barcelona, no âmbito de uma comunidade emigrante fortemente controlada e explorada, conta a história de um paquistanês que se apaixona por um colega, num contexto marcado por um forte isolamento físico, uma religião castradora e um ambiente social opressivo e crítico. É uma história de uma violência no limite do suportável, quer no plano físico quer sobretudo no psicológico.

Outra história admirável fala-nos da relação entre um homem homossexual e a tia que o criou e que está na fase final da sua vida. Este conto é um exemplo extraordinário da complexidade e da subtileza emocional da prosa de Tóibín. Os sentimentos que ligam tia e sobrinho são poderosos, tanto feitos de uma generosidade sem limites quanto de uma possessividade quase egoísta.

O meu conto preferido do livro, e de que já falei aqui há uns dias, é Silent, passado em finais do século XIX, durante uma estadia no Egipto de uma mulher jovem casada com um homem muito mais velho, e que vive um caso amoroso clandestino com um poeta casado. É das coisas mais admiráveis que eu já li sobre a solidão, sobretudo sobre os sentimentos tumultuosos que somos obrigados a viver no mais completo segredo, quando se está completamente à mercê do poder que os outros podem ter sobre nós quando tudo o que nos resta é a fragilidade das nossas emoções.

Eu sei que estas classificações são sempre relativas e valem o que valem, mas acho bem que o Colm Tóibín deve ser o meu escritor vivo favorito, e não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que é um dos maiores escritores de língua inglesa da actualidade, ele que é um escritor irlandês, por nacionalidade mas também por voluntariamente inscrever a sua escrita no contexto social, cultural e literário da Irlanda.